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    Brazil -

    John Updike

    Penguin Books
    1994
    265 páginas
    8h 50m
    ISBN-16: 13:9780141188942
    Português Brasileiro
    2.6
    24 avaliações
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    Tristão Raposo, a nineteen-year-old black child of the Rio slums, spiesIsabel Leme, an eighteen-year-old upper-class white girl, across the hot sands of Copacabana Beach, and presents her with a ring. Their flight into marriage takes them from urban banality to the farthest reaches of Brazil's Wild West, where magic still rules. Privation, violence, captivity and poverty afflict them; his mother curses them, her father strives to separate them, and neither lover is absolutely faithful. Yet Tristão and Isabel hold on to belief that each is the other's fate for life, as they develop in ways they never thought possible.

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    Resenhas (6)Ver mais
    Luiz Pereira Júnior picture
    Luiz Pereira Júnior11/09/2021Resenhou um livro
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    Só poderia ser Brazil com z mesmo...

    Imagine que você é um escritor mundialmente famoso, já tem uma coleção de boas críticas e ostenta vendagens dignas de um best-seller internacional. Mas, não contente com isso, resolve escrever um livro inspirado em um país exótico misturado com uma lenda anglo-saxã, celta ou algo do gênero. Então, supostamente, você compra um almanaque ou pesquisa em uma enciclopédia (nem que seja virtual) a história desse país selvagem e, também supostamente, pesquisa os maiores nomes da literatura nacional e diz ter lido algumas obras desses luminares. O próximo passo é misturar esse enredo tutti-fruti tropical com aquela lenda europeia para ver no que vai dar. E, pronto, só falta o título. Por que não dar o nome do próprio país em inglês ao título dessa obra pitoresca? Pois é, eis o resumo dessa obra (em todos os sentidos) de John Updike. Um livro repleto de bem intencionados chavões e de visões estereotipadas de nosso país é um dos melhores elogios que se pode fazer dessa mixórdia. Um monte de ideias me acorrem: livro para gringo ler? Livro para ser transformado em minissérie ou filme cheios de ação, aventura e patacoadas? Livro supostamente em homenagem a um país do assim chamado Terceiro Mundo, mas que, em dado momento, teve seu lugar de destaque no cenário internacional? Livro escrito apenas para fazer dinheiro ou cumprir contrato? Difícil dizer, mas eu acredito que tudo isso e bem mais... Até mesmo os preconceitos que o nosso próprio povo tem o autor se encarregou de reproduzir em suas linhas (o jovem garanhão negro favelado que se apaixona por uma patricinha loirinha e, sinceramente, pouco desenvolvida mentalmente – se é que você me entende; os chavões universotário-filosofantes e os papos-cabeça dos barzinhos, em que jovens conseguem mudar o mundo para uma utopia igualitária, enquanto tomam uísque e otras cositas más; as divisões regionais brasileiras apresentadas de uma forma – de novo essa palavra – estereotipada, beirando a estupidez – Mato Grosso é apenas floresta e São Paulo é apenas prédios; o povo brasileiro, bem, nem preciso dizer mais nada... Um exemplo (Isabel e Tristão são os protagonistas e, depois de uma série de infortúnios, tornam-se milionários): “[Isabel] Planejava o jantar de Tristão, e providenciava para que as empregadas preguiçosas e desleixadas – uma após outra, todas nordestinas – não negligenciassem escandalosamente o serviço doméstico nem f*** com o jovem jardineiro que cuidava das plantas.”. Sem comentários... Como um autor que escreveu uma das melhores séries literárias do século XX (“Coelho”) pode ter escrito uma obra tão absurdamente grotesca como essa? (E eu nem vou comentar a completa e irritante imbecilização da palavra “inhame” para designar algo que qualquer leitor pode imaginar muito bem o que é...) Ao final do livro, o autor afirma que “E tomei coragem e cor local com a ficção autenticamente brasileira de Joaquim Maria Machado de Assis, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Rubem Fonseca, Ana Miranda, Jorge Amado e Nélida Piñon.” Sem desmerecer os demais autores, mas fico imaginando qual teria sido a contribuição de Machado e Clarice para a escrita dessa “digestão bem feita”, como diria Mário de Andrade...

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