Sabe aquele livro que você pega e logo nas primeiras páginas já se identifica por completo com as ideias do autor? Aí está!
Essa afinidade grandiosa que senti ao ler o texto se deve a forma como Alain traz à luz temáticas e comportamentos religiosos interessantes que, segundo seu ponto de vista, faltam aos ateus militantes e isolados.
Já não me basta saber que Deus está morto(Nietzsche), que a religião é o mal do mundo (Dawkins, Harris, Hitchens), que a fábula religiosa é teatral (Dennett) e que o sentimentalismo religioso é ingênuo (D'Arcais). A caracterização do velho ateísmo é ser restritivo e deveras intolerante, sobrepondo a razão acima de tudo, num discurso tautológico infinito.
A proposta de de-Botton é capturar tudo aquilo que pode ser válido na filosofia religiosa e introduzir num ambiente secular. Nessa linha, discursa como a educação, a cultura, a retórica, a arte e o moralismo podem auxiliar numa perspectiva de vida mais emocionante e vívida por parte dos ateus.
Alain de Botton é um ateu apaixonado pelo estudo das religiões e sua influência no mundo ocidental. Esta narrativa se enquadrou perfeitamente com minha realidade atual e serviu para cimentar minha jornada teológica que já havia começado a alguns anos, colocando meu posicionamento sobre um prisma que ainda não havia enxergado.
Apesar do fuzilamento das críticas por parte dos cristãos e dos ateus, o livro é totalmente recomendado.