Me deparei com este livro por acaso, ao assistir a mais um dos ótimos vídeos do The Book Chronicles, canal literário que acompanho. Já não era a primeira vez que a blogueira citava alguma obra pela qual me interessara, portanto, lá fui eu adicionar mais um item na minha lista interminável de “livros desejados”.
Mas, antes de iniciar a leitura da obra de Giffin, sugiro ler primeiro o conto A Máscara da Morte Vermelha, do Edgar Allan Poe. Não que o livro não se sustente sozinho, mas dessa forma é possível ter uma visão detalhada do processo de “adaptação” que a autora realizou em cima do original (além disso, o conto é muito é muito bom!).
Assim como no texto original, o livro se passa em um mundo assolado por uma praga mortal – dos primeiros sintomas até a morte não se passam mais do que algumas horas. As pessoas vivem com medo e o dinheiro se torna um fator determinante nas chances de sobrevivência de cada um, afinal, os ricos, além de viverem longe das ruas e dos focos de contaminação, são os únicos que conseguem ter acesso a máscaras de porcelana – as mais ideias para a proteção do vírus.
No “comando” do caos encontra-se o Príncipe Próspero, um déspota que preferiu se isolar em seu castelo e abandonar a população para salvar a própria pele. Apesar de não tornar o seu comando menos totalitário, a sua ausência acaba dando espaço para o surgimento de correntes rebeldes, que estão dispostas a conquistar a cidade a todo o custo, em uma tentativa desesperada de interromper as infecções e deter o poder.
Em meio a esse cenário avassalador temos Araby, uma menina que, apesar de fazer parte da fatia mais abastada da população sabe muito bem o que é viver com medo da contaminação. Com a companhia de sua amiga nobre, April, a moça frequenta clubes à noite que oferecem drogas capazes de suprimir o sofrimento (pelo menos por algumas horas) e gerar êxtase em quem as utiliza. Porém, aos poucos a personagem vai percebendo que ela não pode fugir completamente da realidade – o caos, o sofrimento e o passado sempre voltam para assombrá-la.
A escrita de Griffin é frenética! A tensão está presente em cada linha, em cada palavra... Somos praticamente sugados para as suas páginas, ao ponto de sentirmos o frio, o medo e a ansiedade que dominam os personagens. O cenário é tão bem construído que conseguimos enxergar casa detalhe, o que só adiciona uma dose ainda mais realista à narrativa.
Os personagens também são muito bem trabalhados. Não há uma pessoa que não tenha um passado, uma história, um segredo – o que torna o desenrolar dos fatos tão imprevisíveis que, durante uma boa parte do tempo, fica até difícil definir quem é o mocinho e quem é o vilão... Se é que há mesmo um! Ninguém é o que parece e todos apresentam dentro de si “os dois lados da moeda”.
Com um enredo repleto de reviravoltas, discussões políticas (sutis ou não) e um (?) romance de tirar o fôlego, Masque of the Red Death é aquele livro que te fisga logo no começo e que é impossível de ser largado até o final da leitura. Sem dúvida, uma obra contagiante (literalmente)!
Só uma dica: não recomendo comer durante a leitura... A não ser que você tenha um estômago realmente forte (acreditem, eu fiz o teste – e falhei).
Difícil vai ter que esperar até o ano que vem para o lançamento de Dance of the Red Death, a continuação! Por enquanto não há previsão de lançamento no Brasil).
Reviwe publicada no blog Café com Blá Blá Blá: http://www.cafecomblablabla.com.br/2012/06/17/entre-paginas-masque-of-the-red-death/
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