Aço -

    Silvia Avallone

    Alfaguara
    2011
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-13: 9788579620690
    Português Brasileiro

    Crítica declarada da política "ultraliberal" de Silvio Berlusconi, a autora procura mostrar neste romance a falta de perspectiva dos jovens da classe operária na Itália atual. Seu livro narra a descoberta do amor e do sexo por duas adolescentes, em meio à violência de uma pequena cidade industrial italiana à beira-mar. Não é fácil ter catorze anos nos conjuntos habitacionais da via Stalingrado, em Piombino. Não importa se seu pai é um dos inúmeros desempregados ou se trabalha duro na siderúrgica que garante a sobrevivência de quase toda a cidade. O máximo que se pode desejar ali é passar alguns momentos de distração à noite, patinando num rinque ao lado de amigos, ou encontrar seu nome rabiscado num banco do colégio por um admirador desconhecido. As personagens Anna e Francesca sabem muito bem disso. São amigas inseparáveis que se conheceram entre os prédios da via Stalingrado e nunca mais se separaram. Mas, com a chegada da adolescência, é preciso fazer uma escolha: fugir do assédio e das provocações ou usar a beleza para ser alguém. Elas decidem se lançar nesse ambiente feroz, sem prever as consequências de seus atos. Gradualmente, suas poucas certezas se despedaçam e a amizade ameaça desmoronar. Aço foi escrito entre maio e setembro de 2001, ano em que Berlusconi retornou ao poder. Na época, como retrata o romance, a existência em Piombino era sórdida. As mulheres tinham as pernas inchadas de varizes, ancas que balançavam sob panos que serviam para enxugar o suor de maridos desleixados enquanto ofereciam as próprias filhas para sexo ao vivo na TV. Nesse mundo de homens brutos, incapazes, mentirosos e drogados, em meio a uma sociedade minada pelo sonho consumista e pelos reality-shows, as duas jovens heroínas de Avallone, cujo reino é a praia da cidade, aparecem como uma ponta de esperança.

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    Gilberto Ortega Jr08/01/2015Resenhou um livro
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    Aço – Silvia Avallone

    O romance de estreia da escritora italiana Silvia Avallone é um livro que poderia facilmente substituir uma fotografia, tudo por que o ambiente e pessoas ali retratados representa a realidade do bairro Stalingrado, na cidade italiana de Piombino, e mesmo as cenas ou fatos que ocorrem ao longo das 344 páginas do livro Aço são desdobramentos e nuances da vidas dos personagens nele retratados. Anna e Francesca, ambas de catorze anos, são as protagonistas do livro, as duas tem uma profunda amizade que foi criada graças aos vários pontos em comum na vida delas; morarem no mesmo bairro, terem famílias pertencente a classe operária, verem as mães sofrerem com os maridos um jogando o dinheiro das despesas em jogos e o outro agride a mulher e a filha e por ai vai. As duas formam uma dupla cheia de beleza, a morena e a loira, que causa inveja nas outras meninas dos bairros, e a amizade de ambas cria um poderoso contraste com o bairro que é pobre, sem atrativos e sem perspectivas de melhoria de vida para os seus moradores, tendo como fundo uma indústria de produção de aço. Mas além de personagens as duas servem, dentro do livro, como um leque que se abre frente ao leitor para que este possa ver as variações mínimas de personagens que vivem no local, e mantém com menor ou maior intimidade com cada uma das duas. É em meio a este ambiente que as das vivem o momento de descobrirem as suas sexualidades, crescimento e expectativa para o futuro, isso porém não quer dizer que elas sejam ingênuas, tanto uma quanto a outra sabem que a maior possibilidade em melhorar de vida está na sua beleza, Francesca alimenta o sonho de ser modelo, e Anna de fazer carreira na política. Uma frase no meio do livro serve de gancho para a vida de quem, assim como Francesca e Anna vivem na via Stalingrado; “Embora o mundo inteiro fosse injusto, Lisa entendeu pela primeira vez que isso não podia servir de justificativa. ” (página 146) está frase me ajudou a entender o porquê de mesmo diante de várias dificuldades, e mesmo muitas vezes cometendo delitos ou atos não muito louváveis os personagens tem um profundo sentimento de solidariedade uns com os outros. Apesar do livro não ser ruim após a leitura eu fiquei com uma grande reticencia em relação a ele, como eu disse no começo este livro poderia substitui uma foto, pois parece que a autora escreveu ele em todos os momentos tendo em vista dar ao leitor uma ideia de como é a vida ali, mas fora este lado do livro não existe nele grandes reviravoltas ou surpresas, aos menos não para mim, a impressão que fico é de que o romance foi estendido a medida que era necessário fazer o leitor compreender como é o local e avida ali, no momento em que tudo foi mostrado o livro se esgota. Este é o lado ruim do livro para mim, ele não é ótimo, mas também não é péssimo, ou seja leio ele e não sei o que pensar no fim, se amo ou odeio e esta é uma sensação ruim para mim, sinal de que não vivenciei a leitura não senti, isso quer dizer que desde que comecei a ler ele sabia que poderia parar e não ia perder nada, assim como soube que se fosse até o fim na ganharia tampouco, mesmo que seja um livro que gostei mais do que achei chato acredito ter faltado ali algo que fosse realmente atraente. Em tempo: o livro foi vencedor do prêmio Campiello Opera Prima de 2010.

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