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    Diário e cartas -

    Katherine Mansfield

    Revan
    1996
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-10: 8571060959
    Português Brasileiro
    4
    24 avaliações
    Leram48Lendo1Querem107Relendo0Abandonos2Resenhas3
    Favoritos11Desejados107Avaliaram24

    Depois de publicar três volumes de contos dessa extraordinária escritora neozelandeza/inglesa, e enquanto prepara um quarto volume, a Revan publica uma seleção de cartas e o diário que ela escreveu ao longo de sua vida. Um obra de grande conceito na literatura mundial, onde KM mostra o trabalho incessante e apaixonado que desenvolvia consigo mesma, para aperfeiçoar sua arte. Com fotos.

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    Francine Ramos picture
    Francine Ramos17/06/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma vida feliz

    O livro “Diário e Cartas”, como o próprio nome sugere, é composto pelo diário e correspondências da escritora neozelandesa Katherine Mansfield (1888—1923). Ele foi organizado por Julieta Cupertino com base em três publicações inglesas e publicado no Brasil pela Editora Revan em 1996. A princípio o livro já me ganhou, pois a organizadora (e tradutora) do livro não tentou biografar Katherine Mansfield, diferente do que foi feito com o livro “A Casa de Carlyle e Outros Esboços” que é vendido como um livro de Virginia Woolf, porém, seu miolo é composto 80% de textos do organizador. Ponto para Julieta Cupertino! Katherine Mansfield começou sua vida literária no colégio onde publicou alguns contos no jornal da escola. Desde pequena ela possuía uma curiosidade excessiva para a escrita, causando boa impressão aos professores. Assim que terminou seus estudos, pediu aos pais que a deixassem viver de literatura em Londres, mesmo com pouco dinheiro, pois ela queria se dedicar exclusivamente à escrita. Nesse período ela já escrevia um diário, mas o livro “Diário e Cartas” registra que toda a sua produção despretensiosa de adolescente foi jogada no lixo por ela mesma por considerar tudo “enormes diários lamentosos”. O diário e as cartas são datados desde 1907 até 1922. Ali fica registrado o seu mundo e a convivência com os amigos e os intelectuais da época: Murry (o marido), Ida Baker, Lady Ottoline Morrel, Beatrice Campbell, Dorothy Brett, Virginia Woolf, Estelle Rice, Condessa Russel entre outros. Katherine Mansfield é poderosa no quesito conto. Em seu diário ela diz que um bom conto é aquele onde palavras não sobram. E, realmente, os contos de Katherine são assim: palavras e palavras formando uma bela história – nada falta, nada sobra. Ela é de uma precisão absurda! E isso, talvez, seja um dom natural, pois seus diários também são assim: precisos, apesar de simples e despretensiosos. O mesmo posso dizer das cartas: são todas bonitas, alegres, espirituosas e engraçadas, mas também há tristeza, devido à sua doença. Katherine Mansfield morreu de tuberculose aos 34 anos e conseguiu apenas produzir contos. Se não fosse a morte ela escreveria também romances que seriam, sem dúvida, excelentes. Em seu diário ela registra essa vontade: “me voltar de fato para o meu romance Karori“. Dizem que Virginia Woolf tinha inveja da qualidade de seus contos, mas era uma inveja recíproca, pois Katherine também a invejava, principalmente a vida de Virginia Woolf ao lado de Leonard Woolf, pois ela, pela doença, ficava muito tempo longe de seu marido, o editor John Middleton Murry, porque o inverno inglês era terrível para os seus sensíveis pulmões. Ao final do livro a sensação é de ter conhecido uma escritora que amava a vida, que foi feliz dentro de suas limitações, e que construiu uma muralha para se concentrar e produzir a boa literatura perante o convívio com a sua terrível doença. Pouco tempo antes de morrer, ela deixou um testamento e uma carta ao marido onde informava que todos os seus escritos pertenciam ao marido e que ele poderia escolher o que deveria ser publicado ou não. A carta é bonita, singela, como ela. E vale a pena terminar a resenha assim: Para J. M. Murry 7 de agosto de 1922 Há dias tenho estado a ponto de escrever esta carta. Meu coração tem se comportado de maneira tão estranha, que não posso imaginar que esteja valendo alguma coisa. Assim, como eu odiaria deixá-lo sem saber o que fazer, escreverei o que me vier à cabeça. Todos os meus originais – eu deixo para que você faça com eles o que quiser. Um dia qualquer, leia-os, e destrua tudo o que não for usar. Por favor, destrua as cartas que não quiser conservar, e todos os diários. Você sabe o quanto eu gosto de ordem. Faça uma boa faxina, Bogie, e deixe tudo limpo – viu? Os livros são seus, naturalmente. O dinheiro, também. Na verdade, meu querido, mais querido, deixo tudo para você, para aquele ser secreto cujos lábios beijo esta manhã. A despeito de tudo, como fomos felizes! Sinto que nenhum casal de amantes pisou a terra com felicidade maior – apesar de tudo. Adeus – meu inestimável amor. Para todo o sempre, sou sua Wig http://www.livroecafe.com

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    Kathleen Mansfield Beauchamp  profile picture

    Kathleen Mansfield Beauchamp

    Katherine Mansfield, pseudônimo de Kathleen Mansfield Beauchamp foi uma proeminente escritora neozelandesa de histórias curtas. Publicou sua primeira coleção de contos <i>In a German Pension</i> em 1911. A publicação de <i>Prélude</i> e <i>Bliss and other stories</i> asseguraram-lhe o reconhecimento público. Sua prosa, embora ligeira, é marcada por implicações profundas e apresenta personagens marginalizados e descrições de lutas de classes. <br><i>The Garden Party and other stories</i> foi a última coleção publicada em vida, devido à sua morte prematura por tuberculose. Sua consagração ocorreu após a morte: teve mais de dez títulos póstumos, entre contos, cartas e diários, hoje sendo admirada por seu talento.

    51 Livros
    108 Seguidores
    Wellington, Nova Zelândia

    Kathleen Mansfield Beauchamp