Diálogos dos Mortos -

    Luciano de Samósata

    Hucitec Editora
    1996
    222 páginas
    7h 24m
    ISBN-10: 8527103281
    Português Brasileiro

    Este volume bilingue apresenta para o leitor brasileiro um desconhecido escritor pós-antigo, Luciano de Samósata. Viveu no século II d.C. e conheceu a maturidade como escritor sob o reinado de Marco Aurélio. 'Os Diálogos dos Mortos', provavelmente a obra de Luciano mais lida em todos os tempos, são como que o supra-sumo de seu diálogo pós-clássico - um vasto painel em que se misturam personalidades de épocas e lugares diferentes, com personagens consagradas pela mitologia e pela literatura, além de gente comum, num ininterrupto diálogo que pode ser ininterrupto justamente porque é pós-vida. Cada uma das peças, em sua fragmentária completude que lembra a de um vídeo-clipe, soma-se num mosaico de falas independentes tanto quanto interdependentes não sobre os mortos, mas sobre os vivos. São instantâneos que se deslocam sem perder de vista um objetivo bem definido; a crítica social.

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    Raphael Valim07/11/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Diálogos dos Mortos sobre os vivos!

    "Diálogos dos Mortos" é, sem sombra de dúvidas, um dos textos mais inventivos da literatura antiga. Trata-se de uma obra que inspirou diversos escritores, entre eles Machado de Assis (em seu romance "Memórias Póstumas de Brás Cubas") e Gil Vicente (em sua peça "Auto da Barca do Inferno"). Juntando aspectos da sátira menipeia com características dos diálogos socráticos, Luciano desenvolve 30 diálogos que se passam no Hades, protagonizados por personagens históricos (como Sócrates, Alexandre e Menipo) e personagens míticos (como Aquiles, Héracles, Agamêmnon e Caronte). Com um espírito filosófico, mas também satírico, Luciano propõe questões como a importância (ou não) de se manter as riquezas, as aparências e a busca pela glória ("kléos") sendo que, ao final, segundo a mitologia grega, todos viverão sob as mesmas condições impostas no Hades, sem quaisquer aspectos chamativos, a não ser semblantes cadavéricos e desfigurados. Haveria aí uma defesa aos filósofos cínicos, que buscavam viver sob as condições mais simples? Ou um resquício de esperança para os pobres e destituídos que, após uma vida sofrida e precária, poderão zombar dos mais abastados que tudo perdem ao chegar no mundo dos mortos, onde as vantagens se dissolvem em uma igualdade de sofrimento? Várias interpretações são possíveis! Inteligente, reflexivo, divertido, crítico e de certa forma atual, "Diálogos dos Mortos" é leitura indicada para qualquer apreciador de boa literatura e para todos aqueles que ficaram curiosos sobre o destino de figuras do mundo grego, tanto históricas quanto míticas, depois de passarem dessa para melhor (ou pior)!

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