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    A coroa de areia -

    Josué Montello

    Nova Fronteira
    1984
    434 páginas
    14h 28m
    ISBN-11: 8520914659_
    Português Brasileiro
    4.3
    14 avaliações
    Leram25Lendo1Querem26Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos2Desejados26Avaliaram14

    Revivendo situações históricas e reconstituindo o ambiente de São Luís do Maranhão, por meio de uma simplicidade transparente e cristalina de estilo, apresenta uma denúncia política dramática que não perde, em momento algum, os entretons psicológicos da vida interior de seus personagens.

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    Resenhas (4)Ver mais
    Carla Silva picture
    Carla Silva24/03/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A escrita serena

    Existe alguma coisa de serena na forma que Montello foi construindo ao longo de seus romances. Mesmo aqui, neste pequeno painel histórico-político que ele apresenta - de 1922, ano do Levante do Forte de Copacabana, até a ascensão do Nazismo e seus sinais pelo mundo, nos primeiros anos da década de 30, passando pelo assassinato de João Pessoa e o Estado Novo de Vargas - o romance mantém o tom; as emoções, mesmo quando intensas, mesmo quando justificadas, não sobem, não se alteiam; talvez se possa definir o seu estilo, sob este aspecto, como clássico. Não há extravazamentos nem excessos; aqui está a dor, ali está a morte, mais adiante um dilema moral: a serenidade, porém, permanece. Não se trata de frieza, mas elaboração da forma; se não vamos encontrar nesse estilo ousadias formais, é preciso também declarar que Montello não precisa delas: ele tem freqüentemente argumentos, tem histórias a contar. Nenhum leitor corre o risco de apanhar um romance seu e dar com uma escrita intrincada que serve para esconder a ausência de um enredo. Não: os enredos, as peripécias, em Josué Montello ali estão. Alguns bastante simples, outros, mais episódicos, outros ainda, dramáticos no tema mas evitando melodrama ao narrá-los ( ver O Silêncio da Confissão, por exemplo). Confesso que lendo A Coroa de Areia cheguei a imaginar desenlaces violentos que não se realizaram na obra: o escritor deu-lhes outras soluções. Não sei se outro leitor teria reação idêntica. Houve um suspiro de alívio de minha parte (meus piores temores não se concretizaram) e, talvez, uma ponta de decepção. Ainda assim, agora que faz bastante tempo que findei a leitura fica uma sensação de bem-estar. De carinho. Minha "decepção", é bem possível, adveio da minha imaginação talvez muito estimulada por Dickens & cia. Montello (que admirava Dickens) não pertence à mesma escola; é, torno a dizer, um clássico. Sua serenidade coloca no texto uma beleza menos evidente, mais calma, mais necessitada de um segundo olhar; porém é beleza. E é bom que se acrescente que apanhei A Coroa de Areia para ler e, após as primeiras páginas, estava presa à trama. "Que vai suceder? Que vai suceder?" E não queria largá-lo.

    4 curtidas

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    4.3 / 14
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas0%
    Josué Montello profile picture

    Josué Montello

    Josué de Sousa Montello (São Luís, 21 de agosto de 1917 — Rio de Janeiro, 15 de março de 2006) foi um jornalista, professor, teatrólogo e escritor brasileiro. Trabalhou como diretor da Biblioteca Nacional e do Serviço Nacional de Teatro, escreveu para a revista Manchete e o Jornal do Brasil, além de trabalhar no governo do presidente Juscelino Kubitschek. Obras: -Romances Janelas Fechadas (1941) Luz da Estrela Morta (1948) Labirinto de Espelhos (1952) A Décima Noite (1959) Os Degraus do Paraíso (1965) Cais da Sagração (1971) Os Tambores de São Luís (1975) Noite Sobre Alcântara (1978) A Coroa de Areia (1979) O Silêncio da Confissão (1980) Largo do Desterro (1981) A Vida Eterna do Major Taborda(1981) Aleluia (1982) Pedra Viva (1983) Uma Varanda sobre o Silêncio (1984) Perto da Meia-Noite (1985) Antes que os Pássaros Acordem (1987) A Última Convidada (1989) Um Beiral para os Bem-te-vis (1989) O Camarote Vazio (1990) O Baile da Despedida (1992) A Viagem sem Regresso (1993) Uma Sombra na Parede (1995) A Mulher Proibida (1996) Enquanto o Tempo não Passa (1996) Sempre Serás Lembrada (2000) -Novelas O Fio da Meada (1955) Duas Vezes Perdida (1966) Numa Véspera de Natal (1967) Uma Tarde, Outra Tarde (1968) Um Rosto de Menina (1983) A Indesejada Aposentadoria (1972) Glorinha (1977) O Melhor do Conto Brasileiro (1979) Pelo Telefone (1981) - Peças de Teatro Precisa-se de um Anjo (1943) Escola da Saudade (1946) O Verdugo (1954) A Miragem (1959) Através do Olho Mágico (1959) O Anel que Tu Me Deste (1960) A Baronesa (1960) Alegoria das Três Capitais (1960) Um Apartamento no Céu (1995) O Baile da Despedida (1997) -Ensaios Gonçalves Dias (1942) O Hamlet de Antonio Nobre (1949) Fontes Tradicionais de Antonio Nobre (1953) Artur Azevedo e a Arte do Conto (1956) O Oratório Atual do Brasil (1959) Caminho da Fonte (1959) O Presidente Machado de Assis (1961) Uma Palavra Depois de Outra (1969) Um Maître Oublié de Stendhal (1970) Estante Giratória (1971) A Cultura Brasileira (1977) Brazilian Culture (1983) Viagem ao Mundo de Dom Quixote (1983) Os Caminhos (1984) Lanterna Vermelha (1985) Janela de Mirante (1993) Fachada de Azulejo (1996) Condição Literária (1996) Memórias Póstumas de Machado de Assis (1997) Baú da Juventude (1997) O Juscelino Kubitschek de Minhas Recordações (1999) -Diários Diário da Manhã (1984) Diário da Tarde (1987) Diário do Entardecer (1991) Diário da Noite Iluminada (1994) Diário de Minhas Vigílias (1998) Diário da Madrugada (1998)

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    Maranhão, Brasil

    Josué Montello