Estrela Dupla (Argonauta #39) -

    Robert A. Heinlein

    [Lisboa] Editorial Livros do Brasil
    1957
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-1: 0
    Português

    Lorenzo Smythe um actor desempregado, encontra num bar um homem vindo do espaço exterior. Foi uma divertida paródia, de onde resultou o mais importante, ainda que o mais perigoso e assustador papel da sua carreira profissional. E quando Lorenzo chega a Marte, a borde de um navio do espaço, descobre a extraordinária natureza do seu novo emprego: personificar John J. Bonforte, chefe da Coligação Política Expansionista, o mais amado — e o mais detestado — homem do Sistema Solar. Com um Império Galáctico dependendo do sucesso da sua imitação, Lorenzo vê-se preso num pesadelo de teatro para o qual não há uma única possibilidade de fuga.

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    Sidney Danillo de Moraes Lopes08/12/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O Show Deve Continuar

    A história é narrada em primeira pessoa pelo protagonista, Lorenzo Smythe, um ator com ares de canastrão, imensamente orgulhoso de sua profissão, mas que não está em seus melhores momentos. Está sem trabalho e literalmente falido. Ele acaba aceitando um trabalho inusitado: substituir (daí o título Double Star) em aparições públicas um dos políticos mais amados e odiados da galáxia: John Joseph Bonforte, que foi raptado por seus adversários políticos às vésperas do estabelecimento de um pacto entre Bonforte e os habitantes de Marte. No início, Smythe aceita de forma relutante o trabalho (mesmo porque só soube exatamente qual era o trabalho quando já estava fora da Terra) mas, aos poucos, ele vai se afeiçoado cada vez mais à figura do político, inclusive vendo no mesmo a figura de seu falecido pai. Basicamente a história é essa. Ela tem pitadas de humor, principalmente pela figura do protagonista, mas infelizmente não empolga, por um simples motivo: não há curva dramática na história. Todos os planos que são feitos para Smythe dão certo, em nenhum momento você sente que ninguém está em perigo, em nenhum momento sequer vemos os opositores de Bonforte desempenhar algum papel relevante na trama. Com a excessão de uns poucos "capangas" , esse inimigo sequer aparece. Somado a isso, Heinlein utiliza alguns diálogos extremamente cafonas, mesmo para um livro da década de 50 e não desenvolve nenhum personagem a não ser o protagonista, que tem um arco de evolução até razoável. A única parte do livro que de fato me fez sentir alguma coisa, foi o trecho final onde **** GRANDE SPOILER !! **** Smythe nos diz que o que estamos lendo são na verdade suas memórias escritas por recomendação de seu psicólogo. Por algumas coisas que ocorrem no livro, Bonforte acaba falecendo às vésperas de uma eleição, que acaba ganhando, e Smythe acaba tendo que assumir o papel para sempre. Esta revelação chega a ser até emocionante, por ele contar que acabou casando com a secretária apaixonada de Bonforte e que tem certas dificuldades em lembrar de sua "vida passada", depois de tantos anos no papel. Este foi meu primeiro contato com a escrita de Heinlein e confesso que esperava mais, visto que ele é tido como um dos grandes da ficção científica. Pretendo ler outros livros dele para ver se essa primeira impressão acaba melhorando.

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