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    14 contos (Coleção Listrada) -

    Kenzaburo Oe

    Companhia das Letras
    2011
    456 páginas
    15h 12m
    ISBN-13: 9788535919790
    Português Brasileiro
    3.8
    67 avaliações
    Leram109Lendo22Querem319Relendo0Abandonos7Resenhas6
    Favoritos5Desejados319Avaliaram67

    Estes contos brilhantes e provocadores revelam a trajetória literária de Kenzaburo Oe, um dos maiores escritores japoneses vivos, ganhador do prêmio Nobel de 1994. Inéditos em português e traduzidos direto do japonês, com introdução de Arthur Dapieve. Escritos entre 1957 e 1990, estes contos refletem não apenas a evolução da escrita do autor, mas também os seus temas recorrentes. Kenzaburo Oe foi construindo aos poucos um universo tipicamente japonês, habitado por personagens que jamais poderiam ser ocidentais. Os contos "O homem sexual" e "Em português brasileiro", tratam de um tipo de incomunicabilidade muito nipônica, em que algo importante deixa de ser dito, numa tentativa nem sempre bem-sucedida de preservar a harmonia social. O delicado equilíbrio dentro da família Oe, que inclui um filho com deficiência cerebral, está retratado em "Viver em paz" e "A dor de uma história", supostamente narrados pela filha do escritor. Já em "Seventeen", um dos contos mais polêmicos, Oe se baseia no assassinato do presidente do Partido Socialista japonês, nos anos 1960, por um adolescente ultranacionalista, para refletir sobre o nível de fanatismo que as ideias políticas podem incutir num indivíduo confuso ou ainda malformado. Na época, o conto foi duramente atacado por ambos os extremos do espectro político. A visão sem ilusões, porém compassiva, que Oe tem da existência humana amarra todos os textos. Repetidas vezes, ele afirmou que sua obra trata da inegociável dignidade dos seres humanos.

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    Pablo Pax22/10/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Tenho corpo, logo existo...

    O filósofo F. Nietzsche (1844-1900) dizia que a filosofia ocidental (e a literatura em geral) devia pensar o Corpo. Esse conselho soaria estranho a um autor japonês como Kenzaburo Oe (1939-), aliás, uma das influências de Murakami. Vai uma citação da obra: "Não há nada realmente importante neste mundo, nenhuma aflição, nada digno de angústia. Ponham-se então na pele daqueles que, sabendo disso, tudo têm de suportar em silêncio e continuar a viver, daqueles que têm de viver exultantes aturando estoicamente esta amargura que vocês, que ora correm rumo ao inferno, não conseguiram afinal suportar!" Seus contos em geral não agradam a muitos leitores ocidentais exatamente por isso: ele PENSA e trata do corpo, como é comum na literatura japonesa, de forma muito natural, em especial da decadência física (doenças, abortos, rugas, sangue, impotência masculina, envelhecimento feminino...). Tão natural que, quando ele fala sobre aborto, masoquismo ou faz analogias como "cerveja tem essência de xixi" leitores cultos ocidentais tendem a ficar corados ou achar que se trata de mau-gosto, julgando o livro com frases como "o autor é bom, mas não gostei de todos os contos". Por trás desse tipo de opinião inteligente o que realmente dão é uma opinião puritana, tendo sobre o Corpo (e toda a sua decadência) um olhar moral que os japoneses, em geral, não costumam ter. Ele trata de muitos temas mas, para mim, o que atravessa esses contos é esse "pensar o corpo" por meio de personagens tanto estoicos quanto hedonistas, porém sempre de modo holístico, personagens que gritam: "Meu corpo está em decadência, oh então estou vivo". Em suma "Tenho corpo, logo existo!". Algo que os escritores ocidentais, do centro ou da periferia, ainda têm muita dificuldade em naturalizar, e devido não só a nossa moralidade judaico-cristã que separa corpo (mau) e alma (boa), como também ao predomínio do Logos no mundo moderno, o "Penso, logo existo" do genial Descartes. É claro que há autores ocidentais que tentaram romper com tal dualismo, mas chocaram tanto que até demos, melhor classificamo-los, um nome para eles: autores malditos (Sade, Sacher-Masoch, Georges Bataille, Henry Miller, Anais Nin, Pier P. Pasolini e, no brasil, Cassandra Rios). O olho torto da crítica acadêmica para os livros de literatura erótica lidos por mulheres trabalhadoras não é só de 'falta de qualidade' ou de 'bom gosto' etc.; também tem a ver com esse puritanismo. (Por ex., nunca vi nada tão preconceituoso quanto classificar uma autora/obra de 'soft porn'. Ou é pornográfico ou não é, ahahah) Se você quiser saber se é puritano, leia autores japoneses como Kenzaburo Oe. Se achar que 'o autor é bom, só que sei lá, não me agradou muito' é porque tu és bem puritano, mas o politicamente correto ou a caretice talvez te impeçam de dizer às claras. Esta coletânea, ainda que subjetiva em suas escolhas, é alta literatura e faz jus ao Nobel ganho em 1994.

    11 curtidas

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    3.8 / 67
    • 5 estrelas22%
    • 4 estrelas46%
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    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas4%
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    Kenzaburō Ōe

    Kenzaburo Oe (em japonês 大江 健三郎) é um escritor japonês. Estreou-se como contista em 1957, com a publicação de Shisha No Ogori e, logo no ano seguinte, viu o seu primeiro romance, Memushiri Kouchi (1958, Não Matem O Bebé ), ser recompensado com o Prêmio Literário Akutagawa. Prosseguindo a sua investigação sobre os efeitos do convívio forçado entre povos, desenvolveu um interesse particular sobre Okinawa, outrora a zona mais tradicionalista do Japão mas que, com a derrota do país, serviu de alojamento para uma base aérea norte-americana. Esse período da obra do escritor culminou com o aparecimento de Man'en Gannen Futoboru (1967). Foi agraciado com o Nobel de Literatura de 1994.

    35 Livros
    33 Seguidores
    Ehime, Japão

    Kenzaburō Ōe