"Transit", 1964. O mito de Robinson Crusoe, continua habitando o coração dos homens. Anelo paradoxal, na época em que as criações humanas desmentem, a cada passo, a solidão. Cidades tentaculares, grande vaga demográfica, avião supersônico, a solidão é um paraíso perdido ou, quando muito, uma nostalgia. Ao mesmo tempo não se ouve, porventura, o lamento dos que a sofrem como um destino cruel e frequentemente insuportável? Até para gozar da própria solidão o Homem necessita do Homem. Num universo em que a solidão não tivesse remédio, sentiriamos, cedo ou tarde, a aridez do deserto. O homem necessita do homem para sobreviver. Robinson sem Sexta-Feira, não era Robinson. Bandeirantes num Novo Mundo de Edmund Cooper, soube restituir-nos, em novo contexto, o prestígio do mito e o sentido profundo da sua significação. No século XX, a ilha deserta transforma-se, todavia, em planeta, astro errante num céu que, de tão imenso, quase perdeu a dimensão redutível à escala humana. Evolados, subitamente, do cenário habitual das suas vidas, algumas criaturas vêem-se lançada num mundo novo, onde terão que subsistir. É um mundo a descobrir e a entender, numa viagem de pioneiros em que o mais importante é o que os homens descobrem neles próprios: em que os enigmas mais significativos dizem respeito às suas vidas, reações, comportamento; em que a lição mais autêntica é o aprendizado de uma nova inocência e de uma nova sabedoria.


