Em "A Última Fortaleza Terrestre", volta A.E. Van Vogt a oferecer-nos mais uma criação que justifica a notoriedade de que disfruta, em elevado número de países onde as suas obras se encontram traduzidas e largamente divulgadas. A.E. Van Vogt consegue conciliar a imaginação transbordante com um vigoroso sentido de acção e de aventura. Ao mesmo tempo, imprime a todo o conjunto um dramatismo cuja intensidade envolve e mobiliza a atenção do leitor desde a primeira à última página. É na perspectiva de uma conflagração (ou de um cataclismo?) que A.E. Van Vogt coloca a acção deste seu romance. O derradeiro reduto defensivo, o derradeiro pólo de resistência quando todos os cartuchos já foram queimados, logrará subsistir? Quais são as forças de que se alimenta? Onde vão procurar-se e haurir-se as energias dos que enfrentam o embate de uma situação hostil e perigosa? Onde termina o heroísmo e começa a loucura? Em "A Última Fortaleza Terrestre", o autor soube criar um clima de emoção que, em todos os momentos, atinge a intensidade extrema sem perder, contudo, a característica possível de um símbolo ou de uma lição programática. Por mais despegada que se encontre da realidade, esta obra de ficção - que os leitores e a crítica especializada transformaram em best-seller -, não deixa, todavia, de respeitar as fronteiras do verosímil. A "Última Fortaleza Terrestre" pode constituir, por isso mesmo, uma antevisão prospectiva da eventualidade real que a discutida pluralidade dos mundos e das civilizações já não recambia para os confins das utopias sem sentido. E, pelo mesmo motivo porque não constitui forçosamente um delírio imaginativo carecido de projecção real, A Última Fortaleza Terrestre pode ser também um apelo: um apelo à energia, um apelo à coragem, um apelo à persistência, que as circunstâncias futuras tornarão - quem sabe? -, à escala cósmica, uma realidade.
