A Bossa do Lobo - Ronaldo Bôscoli

    Denilson Monteiro

    Leya
    2011
    544 páginas
    18h 8m
    ISBN-10: 8580443237
    Português Brasileiro

    Relato da vida de um dos mais importantes compositores brasileiros e uma das principais figuras da Bossa Nova. O livro revela detalhes da história da MPB e da vida de Bôscoli, também conhecido por sua personalidade extremamente sedutora. Nas mais de 500 páginas de A Bossa do Lobo, Denilson Monteiro conta a vida de Ronaldo com riqueza de detalhes, revelando como nasceram as canções que ele compôs; os bastidores dos shows que produziu; seu trabalho como jornalista; o relacionamento com a família, amigos e colegas de trabalho; a paixão pelo Fluminense Football Club; seus amores e seus desafetos. Tudo respaldado por uma criteriosa pesquisa e mais de uma centena de entrevistas com aqueles que conviveram com Ronaldo.

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    Luis Eduardo Souza Costa20/11/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Lobo entre barquinhos, banquinhos e violões

    Há um notável parentesco entre os dois biografados de Denílson Monteiro. Em seu primeiro livro, “Dez, Nota Dez”, o jornalista se debruçou sobre a trajetória de Carlos Imperial, figura de proa do cenário pop brasileiro, desde o fim da década de 50 até os anos 80. O “Gordo”, como era conhecido, se notabilizou pela importância na carreira de em um sem número de artistas, entre eles, Roberto Carlos. “A Bossa do Lobo” mostra que a trajetória de Ronaldo Fernando Esquerdo e Bôscoli é tão polêmica , fascinante e surpreendente quanto a de Imperial e o fato de ambas virem à luz pelas mãos do mesmo autor, não deve ser mera coincidência. Ronaldo Bôscoli teve para a Bossa Nova a mesma importância que o Gordo teve para a Jovem Guarda. Logo na primeira hora do “movimento”, quando a música do banquinho e do violão estava restrita à jovens da Zona Sul, espalhadas pelos apartamentos da classe média carioca, como o de Nara Leão, Bôscoli, na época noivo de Nara, utilizava a sua tribuna na Manchete e em outros veículos, para promover aquela turma, e alçar o “novo som”, calcado na batida diferente inventada por João Gilberto e disseminada em seu histórico disco “Chega de Saudade” ao cume da música brasileira, ainda impregnada da aura de samba canção dos anos 50. Ao se tornar compositor, é co-autor de “O Barquinho”, “Lobo Bobo”, “Se é tarde me perdoa”, entre outros clássicos, Bôscoli se torna mais que um incentivador. Passava também a ser um deles, um artista, que teria seu nome para sempre associado à Bossa. Das salas dos apartamentos o ritmo evoluiu para os palcos, primeiramente de faculdades e depois para as pequenas boates do Beco das Garrafas, que a essa altura, já eram território notório das produções Miéle e Bôscoli. Por sinal, a amizade e parceria entre Ronaldo e Miéle rende vários capítulos à parte. Os dois se conheceram quando Miéle, produtor da pequena TV Continental, estava à procura de novas atrações para os musicais da emissora. Rapidamente acertaram os ponteiros e nunca mais deixariam de estar associados, sendo inclusive confundidos como uma única pessoa. Os envolvimentos amorosos também eram uma especialidade do Lobo. O noivado inocente com Nara Leão sucumbiu à avassaladora paixão que o uniu explosivamente à cantora Maysa, história muito bem contada na biografia da Maysa (escrita por Lira Neto) e na minissérie baseada no livro, por sinal, segundo o próprio Denílson, o estopim para escrever o livro foi a atuação do ator Matheus Solano, que praticamente incorporou Ronaldo Bôscoli. Mas o romance mais notável do biografado foi mesmo com Elis Regina. Da antipatia inicial, fomentada pelos inúmeros problemas surgidos quando a estrela batia ponto no Beco das Garrafas, produzida pela dupla dinâmica, a relação evoluiu para uma certa tolerância profissional, desenvolvida quando o “Velho” passou a fazer parte da equipe de produção do programa de Elis na TV Record. Daí para o casamento cheio de pompa e circunstância foi um pulo. O convívio com Elis, entre altos e baixos, durou aproximadamente 4 anos, e teve como saldo o nascimento de João Marcelo Bôscoli. Os dois manteriam uma relação de distância, só quebrada quando da morte de Elis. Bôscoli compareceu ao velório e se emocionou bastante. Outro destaque da obra foi o trabalho de Miéle e Bôscoli na produção dos shows de Roberto Carlos. A partir de 1970, quando da primeira incursão do Rei no Canecão, a dupla alçou os espetáculos de Roberto a um patamar até então inédito para o cantor, tornando-o quase um Sinatra tropical. Deu certo. Essas e outras aventuras não tiram a aura polêmica que o personagem carregou por toda a vida. Odiado por uns (chegou a ser citado na raivosa “Nome aos Bois”, onde os Titãs o elencam junto a um grupo de figuras pouco lisonjeiras) e admirado por tantos outros, Ronaldo Bôscoli marcou definitivamente a cena da música brasileira. Tão vorazmente quanto um Lobo.

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