Atual, embora escrito há mais de 100 anos.
Nunca ouvira falar do livro, ou da Autora, e peguei o livro em uma estante de sebo, sem nenhuma expectativa ou pretensão. Já nas primeiras páginas me deparei com uma narrativa extremamente atual, embora situada na Inglaterra, final do século 19, época em que foi escrito, o que me surpreendeu. O livro traz uma lição sutil do valor das mulheres, sugerindo sua importância emocional e social, e no "guiar" dos homens, seus companheiros, e de toda a Humanidade. Embora possa soar anacrônico, trata-se de estória escrita no começo do movimento feminista (daí ter sido até ousado), mas reproduz valores que hoje mereceriam reflexão, dada a banalização dos relacionamentos humanos. Como ponto central, o livro também aborda o relacionamento Homem - Deus // Homem - Satã, de forma por vezes direta, e por vezes sutil. Não necessariamente Deus e Satã como as figuras mitológicas aceitas nas diversas religiões, mas sim o "religamento" com estes Entes, pela conduta dos homens, praticadas pelo livre arbítrio. É notável como, juntamente das condutas moralmente reprováveis anotadas como tal em algumas passagens do livro, reconhecemos outras tantas condutas típicas e rotineiras, que após uma segunda reflexão, nada mais são do que a manifestação de um ego inflado, e mesquinharias, o que nos distancia da salvação. Interessante notar, também, a forma como a estruturação dos personagens evolui conjuntamente, e infelizmente não poderei comentar mais sobre o livro, porque necessariamente frustraria qualquer leitura.

