Desonra narra a história do professor David Lurie, um homem divorciado, cheio de desejo, mas sem paixão. Após um conturbado "relacionamento" com uma aluna, ele é afastado da universidade onde leciona, é desprezado pelos colegas e ridicularizado pela ex-mulher. Depois de perder tudo que tinha por conta das acusações que lhe foram feitas, ele parte em busca do único relacionamento que parece lhe restar: sua filha Lucy, que vive uma vida simples em uma pequena propriedade no interior do país. Para se afastar de todos os problemas, das recriminações das pessoas nas ruas e talvez de si próprio, David acaba indo passar um tempo com Lucy, na tentativa de encontrar significado na última relação que lhe restou. O sítio é assaltado por três homens, David fica gravemente ferido e Lucy é violentada. Esse incidente de extrema violência mostra a condição da mulher na África do Sul, já que os agressores são membros da comunidade onde Lucy mora e nada é feito em relação a isso. A polícia e a justiça não interferem nas cruéis "leis sociais" que ainda hoje parecem estar em vigor. A desonra de David é a de um homem que chegou ao fundo do poço, que não vê mais nenhuma perspectiva para sua vida, que não alimenta mais nenhuma paixão e que desiste de si mesmo diante da brutalidade da vida.
O livro é como um soco no estômago. Cruel, amargo, extremamente real, mas às vezes despertando ternura, é uma história que te deixa sem fôlego.
Coetzee é surpreendente.