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    Um Peregrino Apaixonado e outras histórias -

    Henry James

    Editora Planeta
    2005
    230 páginas
    7h 40m
    ISBN-13: 9788576650652
    Português Brasileiro
    4.1
    11 avaliações
    Leram20Lendo1Querem16Relendo0Abandonos1Resenhas2
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    Reune 3 novelas do início da carreira de James: Um peregrino apaixonado; Eugene Pickering; O último dos Valérios.

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    Ronnie K. picture
    Ronnie K.02/07/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O prenúncio do grande escritor

    São três contos bem do início da carreira do Henry James, escritos aos 30, 31 anos de idade. Em que pese algumas (poucas) passagens enfadonhas ou excessivamente declamatórias (decorrentes certamente da grande influência de Shakespeare sobre o autor), o que se vê como saldo positivo é um grande frescor narrativo e um grande prazer de se contar uma história. Percebe-se igualmente o seguinte (o que é uma evidente constatação para os leitores de James): como sempre, na falta de elementos mais sensacionalistas ou espetaculares - pois se trata antes de mais nada de uma literatura realista - o autor se esmera em criar legítimos e inusitados conflitos humanos como forma de sustentar a trama e o interesse do leitor; além, é claro, de emitir sutilmente sua visão de mundo e da sociedade. Senão vejamos: No primeiro conto, "O último dos valérios", um jovem conde italiano um tanto arruinado se casa com uma bela herdeira americana. Só que, entre inumeras peripécias, acaba se apaixonando perdidamente por uma escultura desenterrada das dependências do próprio castelo, em detrimento da repudiada esposa. No segundo conto, que dá título ao volume, um arruinado cidadão Americano, de aspecto enfermiço, às portas da morte, viaja à Inglaterra pela primeira vez, para realizar seu último desejo: não somente sentir-se um nobre, um europeu - coisa que sempre acreditou ser no íntimo - mas, sobretudo, na intenção de se apropriar, por legitimidade hereditária, de um belo e portentoso castelo que pertenceu aos seus antepassados. Por fim, no último e mais bem solucionado dos três, outro americano se encontra girando pelo mundo - agora na Alemanha. Motivo? Sempre foi atrelado à cruel educação e vigilância do pai, que sempre o mantivera cativo aos livros e a uma rígida educação moral, alheio ao mundo real e dos sentimentos; o pai morre e ele então, perto dos trinta anos, pretende mergulhar de cabeça na Realidade e recuperar o tempo perdido. São entrechos promissores, sem dúvida. E James, como sempre, dá conta do recado. Cria um irresistível suspense com tão pouca matéria. Baseando-se somente nos arroubos sentimentais e nos conflitos morais dos seus personagens e da relação deles entre si. Somente isso. Praticamente não há descrições de exteriores em "Eugene Pickering", por exemplo. E mesmo quando há, pela pena de James é como se tivéssemos vendo um filme, tão perfeita é a comunhão entre o descrito e o sentido pelo personagem. Isso fica tão evidente tanto em "O último dos valérios", quanto no ágil e surpreendente "Um peregrino apaixonado". O leitor é arrastado (intrigado) por uma sucessão de teias ora estranhas, ora grotescas, ora imprevisíveis. Muito bom! Para os conhecedores da obra jamesiana, há ainda a gratificação extra de constatar a gênese da abordagem narrativa consagrada pelo autor nas suas obras-primas posteriores. Está, sobretudo, no ponto de vista adotado pelos narradores de todos os contos reunidos aqui: são meros coadjuvantes, mas sem eles não existiriam as narrativas. Eles conjecturam, arriscam palpites, julgam, condenam, tentam penetrar na mente dos protagonistas da história. O artíficio é tão bem empregado que não há como duvidar deles. Nascia aqui o que chamo de "Fluxo de consciência em terceira pessoa". Coisa de gênio. TRECHO DE "O ÚLTIMO DOS VALÉRIOS": "A vala estava tão apinhada de trabalhadores que nada vi até que o homenzinho os afastou. Então, banhada pelo sol, quase a ponto de refleti-lo, a despeito das incrustações escuras, observei, escorada por pedras contra um monte de terra, uma majestosa imagem de mármore. Pareceu-me quase colossal, embora depois tenha percebido que tinhas proporções perfeitamente humanas. Meus pulsos começaram a latejar, pois senti que se tratava de algo formidável; e era formidável estar dentre os primeiros a vê-la renascer. Sua beleza maravilhosa lhe dava uma aparência quase humana e seu olhar ausente parecia fitar-nos em assombro. Vestia uma túnica drapejada, de modo que notei que não era uma Vênus."

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    Henry James

    Henry James, romancista americano nascido em Nova Iorque, a 15 de Abril de 1843, naturalizou-se cidadão inglês em 1915. Criador de uma vasta obra (escreveu 20 romances, 112 contos, 12 peças de teatro e alguns artigos de crítica literária), Henry James é uma das grandes figuras literárias de língua inglesa. Beneficiou de uma educação esmerada, pois o seu pai era um dos mais conhecidos intelectuais americanos. Durante a juventude, Henry James realizou viagens frequentes à Europa, vindo mais tarde a viver em Paris, onde foi correspondente do New York Tribune, e em Inglaterra, país onde viria a morrer em 1916. Autor de obras-primas como Daisy Miller (1879), Portrait of a Lady (1881), The Bostonians (1886) e The Embassadors (1903), Henry James foi postumamente laureado com graus pelas Universidades de Oxford e Harvard, eleito para o National Institute of Arts and Letters e, em 1950, para a American Academy of Arts and Letters, tendo recebido também a Ordem de Mérito pelo Rei George V.

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    Nova Iorque, Estados Unidos

    Henry James