Quadrinhas inspiradas no universo infantil são o ponto de partida da premiada escritora Mirna Pinsky para evidenciar algumas das “grandes questões da humanidade”: para que serve um irmãozinho que não sabe correr nem jogar bola? Por que o tempo passa rápido nas brincadeiras e devagar na hora da lição? Como é possível caber um irmão em tão pouco espaço de quarto? E as respostas surgem em situações inusitadas, repletas de bruxas, dinossauros e piratas. O livro Três perguntas inteligentes que eu fiz e as respostas compriiiiiidas que eles deram, lançado por Edições SM, reúne histórias independentes, mas complementares, que misturam as dúvidas e as brincadeiras comuns a muitas crianças com o universo fantástico da imaginação. Na casa da avó, há dias em que uma caixa de papelão cortada vira palco para o teatro de marionetes, e outros nos quais o quintal se transforma em selva enquanto os pequenos heróis tentam salvar a macaca Chita, que foi transformada em bolo de chocolate. Já a casa da árvore – uma linda sibipiruna de flores amarelas – pode voltar no tempo e virar um vale rodeado por rochedos, onde os dinossauros bonzinhos precisam lutar pela sobrevivência e contra o terrível tigre-dentes-de-sabre. As rimas propostas pela autora no início de cada narrativa resgatam a cultura popular das cantigas e repentes, além de contextualizar a história – e a pergunta – que vem a seguir. Os recursos estilísticos são apoiados pela diagramação, que destaca em letras maiores as gargalhadas, os sustos e as expressões. As imagens, assinadas, por Cecilia Esteves, são também um componente essencial: bem equilibradas sobre a tênue separação entre o real e a fantasia, ora retratam a batalha dos dinossauros perto do lago pré-histórico, ora o engraçado cenário criado na casa da avó (como uma bruxinha de pano e um sapo de brinquedo sentados sobre um mouse de computador). Sobre a autora – Mirna Pinsky nasceu e mora em São Paulo. Jornalista e mestre em teoria literária pela Universidade de São Paulo (USP), trabalhou em jornais e revistas. Depois disso, iniciou a carreira de poeta e dramaturga e, desde 1980, trabalha na área editorial. Tem mais de quarenta obras publicadas e recebeu prêmios importantes, como o Jabuti em 1981 e 1995. Sobre a Ilustradora – Cecilia Esteves é formada em arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP) e em animação pelo Centre de Formation Technologique Gobelis de Paris, França. Trabalhou em estúdios de animação na Europa e no Brasil. Há dez anos desenvolve projetos de ilustração em seu próprio estúdio.
