Permutation City -

    Greg Egan

    Millennium Orion Publishing Group
    1994
    310 páginas
    10h 20m
    ISBN-10: 185798174X

    O enredo da Cidade da Permutação segue a vida de várias pessoas em futuro próximo onde a Terra sofre com os efeitos das mudanças climáticas, a economia e a cultura são amplamente globalizadas e a civilização possui um vasto poder de computação em nuvem. Tal poder de processamento é distribuído internacionalmente e negociado em um mercado público chamado QIPS Exchange (Instruções de Quadrilhões por Segundo, consulte MIPS). Mais importante ainda, essa grande capacidade computacional permitiu a criação de cópias, emulações cerebrais inteiras de seres humanos "escaneados", suficientemente detalhadas para permitir uma experiência consciente subjetiva por parte da emulação. A digitalização tornou-se suficientemente segura e comum para permitir que alguns humanos ricos se permitam criar backups de si mesmos. Contudo, como as cópias ainda não possuem direitos humanos sob as leis de qualquer nação ou organismo internacional, se vêem ameaçadas quando os governos decidem empregar o poder computacional excedente no controle climático. Entra na história Paul Durham, um empreendedor com um conceito radical para garantir a imortalidade da comunidade virtual: criar um novo "universo" autossuficiente e desconectado do nosso, uma "Permutation City".

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    Alexandre Torres03/02/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ficção científica hard, transumanismo, matemática e filosofia

    Ainda nos anos 90, Greg Egan previu um futuro dominado pela computação distribuída, estilo "nuvem", em um tempo no qual as pessoas podem ter seus cérebros escaneados em uma noite e transferidos para uma simulação, ainda que tosca, da realidade, tanto como forma de se ter uma cópia de si como com o objetivo de continuar existindo mesmo após a morte. Por limitações tecnológicas, a passagem de tempo nestas simulações é lenta, o que faz o tempo passar pelo menos dez vezes mais rapidamente no mundo exterior. Aqueles que tem mais dinheiro podem comprar mais poder computacional, enquanto os que não o tem acabam em simulações tão lentas que se veem afastados da realidade. Contudo, uma ameaça econômica coloca em risco a pós vida dos figurões. Entra em cena uma alternativa que parte de uma premissa filosófica interessante: ao se criar um universo simulado completo e isolado, com leis coerentes da física e química, e habitado por mentes conscientes, será que este universo continuará existindo mesmo após o botão de "desligar" ser acionado? É o que defende o autor em sua teoria "Dust": todos os universos possíveis existem e são igualmente reais, emergindo espontaneamente de sua própria auto-consistência matemática. E se isso acontecer, teremos criado um universo novo no qual os magnatas serão como deuses? e se adicionamos nesse universo a possibilidade de vida? Em um planeta simulado, inserimos o primeiro ser vivo que evolui dali em diante em novas espécies, até atingir um ser inteligente capaz de questionar a existência dos deuses criadores. Este universo continuará sendo coerente? É possível se criar um universo apenas para sermos seus deuses? Como seria o contato destas mentes incorpóreas com os seres que evoluíram neste universo criado pela mente humana? Essas são algumas das questões levantadas por Egan em sua obra mais conhecida.

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