Um acidente e outras histórias (Coleção Agatha Christie) -

    Agatha Christie

    Record (Coleção Agatha Christie)
    1986
    143 páginas
    4h 46m
    ISBN-10: 8511516395
    Português Brasileiro

    Autora de mais de oitenta obras de ficção, Agatha Christie se notabilizou por uma incrível capacidade de criar enigmas humanos aparentemente indecifráveis. Neste Um Acidente e Outras Histórias, confluem, na forma sintética de contos, todas as características inconfundíveis da Dama do Crime, capaz de manter seu público num suspense que, depois dela, ninguém conseguiu atingir na literatura policial dos nossos dias. Contos: O CHALÉ DO ROUXINOL; UMA CANÇÃODE MEIO XELIM; UM ACIDENTE; A AVENTURA DE ANTHONY EASTWOOD; O MISTÉRIO DA REGATA; PROBLEMA NA BAÍA DE POLENSA; OS ÍRIS AMARELOS; MISS MARPLE CONTA UMA HISTÓRIA; NO FUNDO DO ESPELHO.

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    Fabio Shiva21/10/2022Resenhou um livro
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    Reflexões diante do espelho do tempo, sobre uma frase de Agatha Christie

    Por sincronicidade, deparei-me essa semana com a resenha da primeira leitura que fiz desse livro, postada em 20/11/10 na Comunidade Resenhas Literárias do extinto Orkut: Um belo passeio pelo universo de Agatha Christie em nove contos. Tem uma história do Poirot, uma da Miss Marple, duas do Parker Pyne e mais cinco “avulsas”. Os temas e estilos também são bem abrangentes, indo do policial clássico ao romântico, passando por histórias de aventuras e até uma com um climão mais místico. Já conhecia alguns dos contos, outros li pela primeira vez. O que mais gostei foi “Miss Marple Conta uma História”. Mais uma boa diversão para os fãs da Rainha! Nessa segunda leitura, quase doze anos depois, uma passagem me fez refletir: “Nenhum homem, nenhuma mulher completa-se antes dos quarenta e cinco. É quando a individualidade se afirma.” Como acontece com todas as generalizações enfáticas, essa afirmação de Agatha suscita discordâncias. Não creio que isso seja uma verdade absoluta, e como refutação me ocorre imediatamente a impressionante galeria de artistas geniais que desencarnaram aos 27 anos: Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin, Amy Winehouse, Kurt Cobain… galeria à qual eu sempre incluo meu poeta favorito, Castro Alves, embora ele tenha desencarnado aos 26 anos, precoce até nisso! Alguém poderia contra-argumentar que o fato desses artistas terem desencarnado antes dos 45 anos não implica em terem alcançado uma “completude”, por mais genial que seja a obra que deixaram. Pois exatamente, sinto (claro que é apenas uma opinião minha) que vida e obra estão sempre entrelaçadas, e que essa partida no ápice da juventude representa também uma “completude”, como se fosse a missão dessas pessoas chegar aqui, brilhar intensamente e partir muito cedo… Por outro lado, senti reverberar em mim algum reconhecimento ao ler essa frase de Agatha, e a sincronicidade de encontrar essa resenha anterior me fez atentar para algo curioso. Ao ler “Um Acidente e Outras Histórias” pela primeira vez, ainda faltavam oito anos para que eu alcançasse a idade considerada tão emblemática por Agatha Christie. E agora, nessa segunda leitura, já fazem quatro anos que deixei para trás essa mesma idade… Creio que não se deva à idade o sublime e memorável acontecimento de uma pessoa “completar-se”. Há pessoas que chegam à senilidade sem terem sequer amadurecido, outras são velhos amargurados no pleno viço da adolescência. Mas há também pessoas que já chegam dizendo a que vieram, como é o caso das crianças azuis ou índigo que nascem com cada vez mais frequência. E há também aquelas pessoas que conquistam a grande ventura de aprender algo sobre si mesmas com o passar dos anos. É nesse último caso que acho que a frase de Agatha melhor se aplica. Eu mesmo, por exemplo, estou tendo a oportunidade de me olhar no espelho do tempo ao reler essas antigas resenhas, que tenho garimpado para o quadro semanal que apresento no programa “Atmosfera 102” da Rádio 102.7 FM (Além Paraíba – MG). Encontro aqui e ali algum olhar que me encanta, que me dá gosto de ter sido esse leitor e escritor de anos atrás. Contudo no mais das vezes sinto é constrangimento de tanta empáfia tacanha e orgulho metido a besta. E digo para mim mesmo, sacudindo a cabeça: “Como é que eu podia ser tão sem noção?” E hoje peço a Deus saúde e disposição para que no futuro, ao ler o que escrevo hoje, eu sinta coisas bem parecidas! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2022/10/reflexoes-diante-do-espelho-do-tempo.html

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