No salão caçávamos narigudas, magricelas, desajeitadas, gorduchas, tudo o que fugisse ao nosso padrão de beleza, no qual as louras longilíneas tinham o lugar de honra. Enfiadas em seus vestidos de festa, as feias se conformavam com o destino de tomar chá de cadeira. Quando fazíamos um giro com o dedo, que significava vamos dançar, olhavam em volta procurando a escolhida. Por fim, espantadas, perguntavam: eu? Vinham até nós com os olhos brilhantes, acreditando que, por milagre, os seus sonhos começavam a se realizar.