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    Compêndio de História da Filosofia -

    F. J. Thonnard

    Sociedade São João Evangelista
    1953
    1024 páginas
    1d 10h 8m
    ISBN-8: 14541245
    Português Brasileiro
    5
    1 avaliação
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    Felipe Correia Pimenta picture
    Felipe Correia Pimenta07/12/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Excelente para o estudante de filosofia

    Santo Tomás disse que o fim da filosofia não é saber o que os homens pensaram, mas sim qual é a verdade das coisas. Essa presente obra de Thonnard nos ajudará nesse caminho. Os primeiros filósofos gregos procuravam a explicação das coisas na causa material, o sujeito permanente das mudanças. O capítulo sobre os filósofos pré-socráticos é excelente, destaque para Zenão de Eleia e Anaxágoras. Sócrates dizia que o homem é feliz nessa vida na medida em que é virtuoso; mas esse era o ideal pagão, que apesar de bonito, não pode ser realizado em virtude da natureza decaída, sem o auxílio da Graça. Platão e sua doutrina das Idéias vai cair em dois erros: o realismo exagerado, que será resolvido por Aristóteles e São Tomás com o realismo moderado, e o Inatismo, ou o problema das origens das idéias, já que Platão parece fascinado pela nobreza do espírito que é da família de Deus, e esquece que pela sua união com o corpo pertence também à família dos viventes sensíveis. Aristóteles irá corrigi-lo com sua doutrina do ato e potência ou intelecto agente. Platão irá ignorar a causalidade criadora de Santo Agostinho e São Tomás porque para ele a matéria preexiste à ação de Deus. O pensamento platônico será marcado pelo dualismo entre o mundo sensível e o ideal; entre corpo e alma; e entre os direitos do indivíduo e os do Estado. *** Aristóteles irá estabelecer o realismo moderado seguindo o princípio de que “o objeto formal proporcionado da inteligência é a essência das coisas sensíveis, ainda que seu objeto seja o ser”. A doutrina de Aristóteles sobre ato e potência pode ser definida assim: Um princípio que se chama ato, ou seja, os objetos são o que são; potência: é um princípio de imperfeição. Ele nos dá o exemplo do mármore e sua realidade evidente: a capacidade de ser esculpido: é a potência. Esse conceito de ato e potência é muito importante hoje em dia no debate sobre o aborto. Aristóteles é mais realista, mas menos metafísico do que Platão. Aristóteles defenderá a eternidade do mundo, que são Tomás reconhece que sem o auxílio da revelação, é uma hipótese até que provável. Ele nega a existência de idéias inatas e nem a reminiscência platônica. Todas as idéias são recebidas ao contato com a experiência. Aristóteles proclama a virtude como o caminho para a felicidade, mas lhe faltava a noção de dever, que São Tomás iria colocar na vontade de Deus como seu único fundamento sólido. *** Agora Thonnard nos fala sobre o período de transição moral que começa com Epicuro, filósofo que considerava o prazer o soberano bem. Para Epicuro é no equilíbrio calmo do corpo que está o verdadeiro prazer. No pensamento de Epicuro o bem soberano do prazer não é um estado negativo, mas um bem estar positivo que obstáculo algum consegue deter. Sua fórmula é: “ a felicidade do sábio está na vida de equilíbrio e moderação”. Epicuro tentou libertar o homem de três temores: o temor do destino, o da morte e o da superstição. Sobre o temor da morte as palavras de Epicuro são bonitas: “a morte não tem império nem sobre os vivos nem sobre os mortos: uns não sentem ainda os seus golpes e os outros que já não existem, estão ao abrigo de seus danos”. A moral de Epicuro pode ser vista em nossos dias pelos nossos burgueses com seus gostos moderados, sem grande ambição moral, preocupado com a saúde do corpo e sem se preocupar de forma alguma com os problemas metafísicos. É assim que a historiadora Régine Pernoud irá definir o burguês. *** Na transição mística o maior nome é o filósofo neoplatônico Plotino, que de Platão irá herdar a doutrina da distinção entre o mundo real, que é a idéia, e o mundo sensível, que é a sua imagem.Em um pensamento impressionante, Plotino dirá:” todo o ser perfeito produz sem nada perder, uma imagem dotada em relação ao seu modelo ao mesmo tempo de semelhança e de degradação; de imanência e de distinção real.” Assim o ser supremo não pode ser nem cioso de sua perfeição, nem impotente para comunicar. Deus há de comunicar a sua perfeição. “ bonum est diffusivum sui”. O bom se difunde por si mesmo. Sua teologia negativa diz que Deus é “ o Uno que não faz número com qualquer outra coisa; é medida e não medido: apenas se pode dizer que é o além. Dizemos o que não é, não dizemos o que é”. Thonnard diz que essas concepções de Plotino não se afastam da teoria tomista segundo a qual não conhecemos Deus naturalmente senão mediante coisas análogas que se exprimem em perfeições puras. Plotino é muito profundo. Falando sobre Deus ele diz:” Beleza primeira,beleza integral, não há Nele coisa alguma onde sua beleza seja deficiente”. Ele continua: “ para que tentar mudar, se possui toda a bondade? Para que tentar engrandecer-se se é perfeitíssimo?” Possui assim “ a verdadeira eternidade da qual o tempo, que envolve a alma ...é imitação.” A psicologia de Plotino define o homem como corpo, feito de um material sensível e corruptível, e de um elemento espiritual e eterno, a alma racional e a inteligência intuitiva.Pelo elemento espiritual que nos constitui na dignidade de homem, cada um de nós realiza uma das múltiplas forças unificadas na alma e uma das múltiplas forças unificadas na inteligência. Dessa definição de homem de Plotino surgirá um tríplice corolário: a imortalidade da alma, as faculdades da alma, que ele classifica em dois grupos: o espírito e a intuição; e o progresso da alma. Plotino diz:” A inteligência é nossa sem ser nossa: é nossa quando nos servimos dela”. Temos então a lei da aspiração em Plotino. A lei do regresso, porque todo o ser deseja a sua união com o Uno. “todos os seres enquanto não possuem o bem querem mudar; desde que o possuem, querem ser o que são”. A lei do recolhimento, porque quanto mais o homem entra em si, mais se eleva para Deus. “ existe afinidade entre as coisas íntimas e as coisas sublimes... a altura e a profundidade dão-se o beijo da paz”. Por último, a lei da purificação que é a supressão do sensível e do corpo. Thonnard esclarece que na ascese católica o conflito não é entre o corpo e a alma, mas entre duas vontades, e não se trata como em Plotino de abandonar o corpo ao seu caminho, mas de submeter à razão e à fé. *** Para Santo Agostinho a irradiação criadora não é, como pretendia Plotino, natural e necessária, mas Deus produziu o universo em plena independência por um ato de liberdade absoluta, porque a necessiade implicaria em uma carência real naquele que é a plenitude de todo o bem. Santo Agostinho refuta os gnósticos e demonstra que o mal físico existe porque toda a criação supõe uma degradação, e que esta não pode ser evitada ao menos que não se crie coisa alguma. Deus poderia ter criado apenas os anjos, mas produzindo seres inferiores, estendeu assim até eles a sua bondade, o que é um bem. Santo Agostinho é um grande defensor da liberdade, e admite o poder de produzirmos os nossos próprios atos. "não se merece, diz ele, nem censura nem suplício quando se não faz o que é impossível fazer-se". Para ele o nosso livre arbítrio tem necessidade da Graça para gozar a liberdade de maneira perfeita e verdadeira, que o pecado lhe fez perder. O poder de escolha entre o bem e o mal não é essencial à liberdade. A liberdade plena e perfeita é sempre um ato bom que vem inteiramente da Graça, antes de ser nossa própria obra. Na doutrina de Santo Agostinho, Deus é como um foco cuja irradiação se estende ao longe e perde, com a distância, a sua intensidade e a sua riqueza. Essa doutrina da degradação progressiva foi adaptada dos neoplatônicos. Quanto mais subimos na escala dos seres melhor estes nos apresentam a imagem do seu autor. Podemos citar Dante que expressou em versos sublimes essa doutrina Cristã: A glória Daquele que tudo move, pelo universo penetra e resplandece, em uma parte mais, menos noutra. Outros versos: "Todas as coisas", começou no instante, "têm ordem entre si, e esta é a forma que a Deus faz o universo semelhante. Vêem altas mentes que ela se conforma aos signos do Senhor, o qual é o fim para o qual é voltada aquela norma. Na ordem de que eu falo é que assim cada ser mais ou menos se reporta próximo à fonte sua,da qual,ao fim movendo-se, a diversa terra aporta, pelo grão mar do ser, na qual atua com o instinto que lhe é dado sempre o porta. esse é o que leva o fogo para a Lua; dos corações mortais esse é o fautor; esse é que a Terra molda e perpetua; nem só os seres carentes do valor da inteligência esse arco arremessa, mas os dotados de intelecto e amor." *** A filosofia de Duns Scotus é caracterizada por uma falta de confiança na razão.Para Duns Scotus, Deus criou o mundo e continua a conservá-lo e a dirigi-lo com liberdade plena. Esse é o voluntarismo de Duns Scotus. Para ele todos os agregados que constituem os seres do universo não obedecem a leis necessárias e dependem apenas da livre vontade de Deus. Para Duns Scotus " a natureza espiritual da alma não demonstra a necessidade absoluta da sua imortalidade, senão seria necessário negar a Deus, que pode todo o possível, o poder de a deixar cair no nada". Para ele Deus poderia tornar um ato meritório do céu sem a Graça. Poderia justificar um pecador e dar a graça sem levantar o pecado. Os deveres que regulam as relações dos homens entre eles são de direito à livre vontade de Deus. Assim Deus poderia declarar o ódio ao próximo uma virtude. *** A filosofia moderna se inicia com Descartes, que propõe a dúvida universal. Thonnard censura a Descartes por sua dúvida universal metódica. Para ser verdadeiramente metódica, deve possuir duas qualidades: Deve ser puramente negativa, fruto de uma simples ausência de razões, e não fundada sobre razões fortíssimas, e a dúvida deve cessar diante de todas as certezas que chamamos de necessárias, porque se impõem pela evidência imediata. Para Descartes o espírito reflete o mundo real que traz em si; para Kant, o espírito fabrica o mundo real que objetiva fora de si; para Santo Tomás, o espírito assimila o mundo real que vem de fora para ele. Em sua prova da existência de Deus, Descartes dirá: "nada há em si mais claro e manifesto que pensar que há um Deus, isto é, um ser soberano e perfeito em cuja ideia exclusiva está compreendida a existência necessária ou eterna, e que, por conseguinte, existe". Descartes ressuscitou o argumento ontológico de Santo Anselmo que Santo Tomás já havia refutado. Ressuscitará também o voluntarismo de Duns Scotus afirmando a livre vontade de Deus. Descartes declaradamente rejeita as filosofias que o precederam e afirma que só consegue se aproxiamr da verdade se afastando do caminho dos antigos. *** O capítulo sobre Plotino é um dos melhores do livro. Não conhecia esse filósofo e acabei ficando impressionado com a sua profundidade. Esse livro é muito bom para estudantes de filosofia, pois é muito bem escrito e analisa muito bem os diversos filósofos. Há vários capítulos sobre a filosofia medieval, Descartes, Hegel, Marx, até Bergson. Tem a vantagem de ser antigo, pois creio que antigamente os autores exigiam um maior esforço por parte do leitor. O estudante de filosofia precisa de livros como esse, que o estimulem a pensar. Tudo o que é fácil demais em filosofia é para se desconfiar.

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    François-Joseph Thonnard profile picture

    François-Joseph Thonnard

    Francis J. Thonnard Nascido em Barvaux-sur-Ourthe quinta-feira 5 novembro, 1896, no Luxemburgo. Ele foi batizado no dia seguinte. O padre da aldeia lhe dá suas primeiras lições em Latina (1908-1910). Em setembro de 1910, o jovem entrou no Bure alumnate. Estima-se maduro o suficiente para ser enviado para Ascona, na Suíça por sua humanidades (1911-1913). Fr. Damasceno Dhers o fato de entrar no noviciado de Limpemberg (Grão-Ducado do Luxemburgo), onde ele tomou o hábito em 14 de agosto de 1913. A guerra eclodiu e quebrando todas as relações com a Congregação, a sua primeira profissão deve ser adiada. alimentação inadequada agrava manual de fadiga de trabalho necessário para a sobrevivência, mas o irmão Francis J. não deixe estudos distrair, embora deva se envolver no cultivo de beterraba. Os noviços do segundo ano começar os estudos no local da filosofia (1915-1917), concluído em Leuven em 1918 e seguido imediatamente estudos teológicos (1918-1922). Anual professo 19 mai 1918, ele foi admitido à profissão perpétua 16 de maio de 1921 e foi ordenado sacerdote por Dom Nicotra, Núncio Apostólico em Bruxelas em 23 de julho de 1922, também em Leuven. Já em 1922, o Franz Joseph Pai começa uma bela carreira docente, primeiro no Taintegnies (1922-1923), em seguida, em Louvain (1923-1924) e, finalmente, St. Gerard (1925-1939). Ele dedica todo o seu tempo ao estudo e ensino da filosofia, servido por uma qualidade de espírito e apoiado por um trabalho constante e perseverante. Ele fala com facilidade, enquanto que, por vezes, palavras em uma conversa normal. Ele tem o dom de apresentar a mesma idéia em vários aspectos, para tornar o ensino claro mais abstrato e ame entregar, através de questões técnicas, o jousting intelectual. Ele escreveu para sua mesa tornou-se diagramas lendários ilustram sintetizar claramente as questões mais difíceis. Sua vida é conduzida com alguma regularidade monástica. Acordar cedo, fiel a todos os exercícios religiosos da comunidade, ele mergulhou sem perder um minuto no estudo e cuidadosamente preparado para a aula. Após o almoço, ele gosta de estar no parque com seus colegas. Nós lemos os jornais e esperar comentários que dão origem a debates que tem a arte para concluir com êxito e feliz. Em 1939, seus superiores cobrar de como superior a St. Gerard. Essa experiência faz tempo difícil prova com a guerra: St. Gerard reúne todos os filósofos e teólogos estudantes belgas, Leuven foi destruída. Em 1946, ele foi substituído como superior pelo padre Joseph Maurissen que passa em 1948, em Halle, onde teólogos são transferidos. Pai Francis Joseph retoma o carregamento superior em Saint-Gérard (1948-1952), sem abandonar sua doutrina amada. Em setembro de 1952, ele deixou St. Gerard não sem emoção para se juntar à equipe de agostinianas Estudos, criada em França em seminário de Lormoy (Essonne). Ele continua a ser um momento para dar um curso sobre a história da filosofia, mas no final de 1954, o Instituto de Estudos Agostinianos é transferido para a rue François ler, em Paris, que se tornou a sua residência. Ele tem a liberdade de usar sua rica experiência em professor dedicado mais diretamente com a pesquisa, estendendo-se um trabalho publicado por muito tempo desde começado. Boa Imprensa já publicou dois livretos em São Bernardo e São Thomas Aquinas. Sua filosofia Accurate , publicado em 1937, recebeu um grande sucesso e tem dedicado sua reputação no mundo científico especializado. Renova Histórico Resumo da filosofia , feita a partir de seu folheto claro e traduzido em seis idiomas. Esta atualização oferece os extratos dos grandes filósofos cuja primeira edição remonta a 1946. Enquanto um discípulo fervoroso de São Thomas Aquinas, Pai Thonnard lealdade a outro mestre, Agostinho, que ele vai dar um lugar privilegiado na novas publicações. Já antes de ser armazenado sob a liderança de P. Cayré, Pai Francis Joseph foi responsável pela tradução e comentário de dois volumes de Santo Agostinho Obras, Volumes 6 e 7, com a colaboração do Padre Guy Finaert. Ele colaborou na publicação das obras do Patriarca do Ocidente, a Revista de Estudos agostiniano e do Boletim agostiniano. Seus inúmeros artigos foram identificados pelo Pe Angel Brix em um inventário bibliográfico geral publicado por uma empresa americana em Boston, como 4 grandes volumes: ele tem nada menos que 40 títulos de estudos devido ao Padre Francis Joseph , relacionados com qualquer aspecto da doutrina agostiniana, especialmente filosofia e graça. Há poucos volumes publicados pela Biblioteca Agostiniana desde 1954 que o Pai analisados e enriquecidos com suas notas, incluindo cinco volumes da Cidade de Deus. A morte vem parar Pai Francis Joseph caneta na mão, a ponto de que vários de seus trabalhos são publicados apenas após sua morte. Homem de ciência, Pai é acima de tudo uma religiosa da vida espiritual profunda. pensamento de Agostinho é perfeito em seu coração, bem como a sua mente. Ele conseguiu sintetizar a doutrina espiritual do Mestre no seu Tratado da vida espiritual na escola de Santo Agostinho (1959), o estudo magistral cunhada em 50 cadernos da vida agostiniana, publicados entre 1953 e 1961. Apesar da forma escolástica dado a o livro, ele agarrou a profundidade ea unidade da doutrina que resume a conclusão: "Todos os aspectos da espiritualidade agostiniana se reúnem na caridade. Amo, nesse sentido, é também o peso que impulsiona o espírito pelo qual eles vivem e que se harmoniza em perfeita unidade ". Em 1963, o padre Francis Joseph celebra entrada Jubileu de Ouro para o noviciado, preparado por um retiro de trinta dias em Essarts. Em 1968, comemora 50 anos de Lormoy profissão religiosa. Mas ele sofre de cérebro arteriosclerose. Em 29 de Setembro 1969, ele voltou para casa para St. Gerard. Em fevereiro de 1972, sofrendo de artrite aguda. Seu calvário termina em l de Maio de 1974. Ele foi enterrado 4 em Saint-Gerard.

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    François-Joseph Thonnard