Se eu olhar pra trás -

    Ademir Furtado

    Dublinense
    2011
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788562757358
    Português Brasileiro

    Edimar, funcionário público às vésperas da aposentadoria, recebe um telefone inesperado: um estranho quer saber o paradeiro de documentos secretos do seu falecido pai, respeitadíssimo professor universitário. Na busca pelos papéis e pela verdade, ele revisita sua própria história: a chegada à capital nos anos 70, o ingresso na universidade nos tempos de ditadura militar, o início da carreira à sombra do pai, o recato da vida amorosa. Nesse caminho sem volta, descobre que vasculhar o passado significa também rever a sua vida tranquila no presente.

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    Reginaldo Aparecido de Freitas25/04/2021Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    SE EU OLHAR PRA TRÁS (2011), de Ademir Furtado. Quando iniciei a leitura, achava que este livro iria abordar principalmente a relação do protagonista com o pai, um “respeitadíssimo professor universitário” (conforme a própria sinopse oficial), cujo passado estava ligado a algum segredo dos tempos da ditadura militar, quando o professor foi preso por alguns dias, no início dos anos 1970. Mas o mistério sobre o pai é apenas o pretexto que irá desencadear um processo de revisão sobre a vida de Edimar, “funcionário público às vésperas da aposentadoria”. A história inicia em janeiro de 2003, quando Lula assume a presidência do país, alternando capítulos que vão revelando o passado do protagonista. Em grande parte da obra a trama sobre o pai parece ficar totalmente esquecida; o próprio pai aparece muito raramente. Esse fio é retomado já bem próximo do fim, contudo, nunca temos uma conclusão sobre o assunto. Então, tentei apreciar a obra pelo que ela se propunha, e não pelo que eu esperava dela a princípio. Mas o caminho seguido pelo autor não empolga. Não se trata de um livro mal escrito; a escrita de Ademir Furtado é simples e eficiente. Apesar disso, o enredo é clichê, não apresenta novidades. Praticamente nenhum personagem, afora Edimar, merece sequer um mínimo de contexto, análise e aprofundamento. E o protagonista é uma pessoa completamente desinteressante. Sua apatia não se justifica por seu cotidiano entediante e por uma vida e uma carreira burocráticas, sem grandes ousadias. Ele não se tornou aquela pessoa. Ele sempre foi aquela pessoa. Desde a juventude parecia ser alguém sem ambições; nunca toma realmente as rédeas do que acontece, simplesmente vai vivendo as coisas conforme elas vão surgindo. E mesmo quando ele se cansa e ameaça uma reação, vai pelo caminho mais óbvio possível. Decepcionante, tanto pela expectativa como pela execução.

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