Tropas e boiadas -

    Hugo de Carvalho Ramos

    Kelps
    2005
    156 páginas
    5h 12m
    ISBN-13: 9788577668694
    Português Brasileiro

    Tropas e boiadas, de Hugo de Carvalho Ramos, foi publicado pela primeira vez em 1917. A obra apresenta o universo sertanejo a partir da narrativa regionalista descrevendo de maneira poética a realidade do homem goiano, suas tradições, seus costumes, seu imaginário popular, ao mesmo tempo questionando as condições de vida dos personagens. A construção dos textos de Hugo de Carvalho Ramos privilegia a temática do mundo rural, sendo a ruralidade constitutiva de seus personagens. Pela boca dos tropeiros e dos tangerinos desfila o linguajar da região central do Brasil, carregado das nuances formatórias daquela população. Os termos são arcaicos para o início de século passado tendo em vista que o livro foi escrito no início do século XX, já resgatando termos prestes a saírem do uso cotidiano da época.

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    Leonel Cupertino27/02/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um compilado verídico do sertão goiano

    Trata-se de uma compilação de histórias, uma espécie de crônicas do esquecido sertão de Goiás, que expressam toda a simplicidade e altivez do tropeiro, do boiadeiro, mas com algumas pitadas de personagens de teor feminino - Nhá Lica, destaca-se - em recordações de sua meninice na capital. São históricas riquíssimas com os hábitos de homens que cruzavam o país e serviam como conexão entre o campo (fonte de poder econômico e político) e a cidade (fonte de instrução, pequenos polos comerciais e de irradiação do poder religioso). Posso afirmar, sem medo, que muitas das histórias do nosso autor são "causos" verídicos, ou criativamente inventados num imaginário longínquo daquele cotidiano rural. Os personagens contidos na narrativa são em sua maioria homens e mulheres simples, trabalhadores do campo, sujos de terra e suor, em roupas velhas e pouso em choupanas humildes ou fazendas de endinheirados. Temos até uma pitada de folclore com um conto do Saci, numa interpretação genuinamente goiana. Sobre o nobre escritor, é possível identificar sem muito esforço que Hugo de Carvalho Ramos foi um homem que, recluso em seu quarto de estudante no Rio de Janeiro, sentia falta do cerrado, dos ares tranquilos e rústicos dos rincões goianos, e encontrou nas palavras de seus diversos personagens o lirismo necessário para conectá-lo ao seu chão. Infelizmente, seu fim foi trágico, mas a sua obra ficou para a posteridade como um expoente da cultura daquele estado distante no centro do Brasil, marginalizado culturalmente, até hoje, pelo centro-sul do país.

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