Verso a (Re)Verso
Inegavelmente um afiadíssimo jogo de palavras, nessa obra d'O Poeta de Meia-Tigela que mescla palavras de várias épocas e regiões fazendo delas acentuadas notas que transmitem àqueles que lerem uma sensação reflexiva em cada verso. O livro, além de ótimas instigações trás também textos diversos, um deles é uma interessante forma de ver a influencia do escritor russo Dostoievski, resgata também a beleza requintada de ilustrações trazendo de volta o aspecto das xilogravuras. Gosto muito da forma como o autor se posiciona perante a expectativa do leitor, alguns versos têm efeitos ópticos muito interessantes que são reforçados com os desenhos que perambulam livremente pelas suas páginas. Um dos desenhos que sem dúvida me prendeu a vista está na página 79. Mas, de todos os versos, o que mais gostei foi esse: "Avantesmas e esqueletos Deixarão as catacumbas Sairão de suas tumbas Os cadáveres infectos Crucifixos amuletos Relegados ao desdém Pesadelos sobrevêm Ao que dorme e ao que acorda Vêm zumbis vêm em Hordas E com eles eu também." (Livro 3, 1. As Aparições, 1. Canto Negro, 3º Estrofe, página 170). Não são apenas versos líricos, são tigelíricos! Li, gostei e lerei novamente. Recomendo à todos! A. F. Ronnison

