Essa obra caracteriza-se, precipuamente, pela crítica equilibrada e ponderada dos dogmas e do discurso de partes da esquerda política. Dentre outros assuntos, o autor analisa o marxismo, enquanto teoria que supostamente serviu como fundamento de movimentos e revoluções no século XX e a prática no âmbito desses fatos históricos, fazendo críticas acerbas especialmente em relação ao que se convencionou chamar de “revolução” russa, inclusive negando-lhe o caráter revolucionário. Merece referência, também a abordagem do autor em relação ao caráter do regime chinês, desde a revolução comunista até os dias atuais. Essa crítica é efetivada utilizando-se de argumentação bem-elaborada (mesmo que alguns dos argumentos, especialmente os de origem filosófica, sejam de difícil compreensão), inclusive por meio de análises de outras obras. Destaca-se a lucidez do autor, o que não impede que ele seja enfático, como no brilhante texto sobre a polêmica que contrapôs Karl Kautsky em relação a Lenin e Trotsky. Mencione-se que, apesar do conteúdo dos textos ser variado, há críticas que se repetem em vários textos que compõem a obra, expostas de uma maneira bastante semelhante. Trata-se de uma leitura importante – talvez seja mais exato dizer necessária - para a compreensão do desenvolvimento histórico da esquerda, especialmente os efeitos deletérios da predominância (ou, quando menos, grande influência) dos dogmas revolucionários surgidos por ocasião da tomada ao poder por parte dos bolcheviques, bem como da adoção sem maiores reflexões do marxismo como referencial teórico.






