A lingüística se ergueu sobre a premissa de que a opinião laica não tem valor científico. Os lingüistas, no mundo inteiro, foram treinados para acreditar que só se pode pensar a linguagem cientificamente se esvaziarmos as nossas mentes de todas as ideias herdadas da tradução e do senso comum. Por outro lado, política e planejamento lingüísticos são áreas em que os envolvidos dificilmente podem ignorar o que as pessoas sentem e pensam "nas ruas", e o único modo pelo qual os lingüistas podem contribuir para os temas práticos que envolvam a linguagem é adotar um olhar crítico diante de sua própria prática. Nunca é tarde demais para começar a fazer um exame de consciência e perguntar se, por atos ou omissão, os lingüistas não se desviaram da responsabilidade de ver a linguagem como um fenômeno social, com todas as implicações políticas e ideológicas que daí decorrem. Claro, há quem não abra mão da ideia de que os lingüistas fariam melhor se seguissem os velhos caminhos, o que significa manter uma distância segura de todos os temas políticos e questões éticas que emergem de seu próprio trabalho. Esperamos que a passagem do tempo e a percepção de nossa limitada relevância ajudem-nos a enxergar para além do véu da ilusão.
A Lingüística que nos Faz Falhar - Investigação Crítica
Fábio Lopes da Silva/ Kanavillil Rajagopalan [orgs.]
Parábola
2004
231 páginas
7h 42m
ISBN-10: 858845626X
Português Brasileiro
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