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    Aurélia - Incluí Pandora

    Paulo Hecker Filho, Gérard de Nerval

    L&PM Editores
    1997
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-10: 8525406627
    Português Brasileiro
    3.5
    6 avaliações
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    "Amei durante muito tempo uma dama a quem chamarei de Aurélia. E que perdi para sempre. Pouco importam as circunstâncias desse evento que devia ter uma influência tão grande em minha vida. Cada um pode buscar em suas lembranças a emoção mais pungente, o golpe mais terrível desferido sobre a alma pelo destino; há então que se resignar a morrer ou viver — direi mais tarde por que não escolhi a morte. Condenado por aquela a quem amava, culpado de uma falta cujo perdão não tinha mais esperança, só me restava lançar-me em exaltações vulgares. Fingindo alegria e indiferença, corri o mundo loucamente apaixonado pela instabilidade e pelo capricho". Gérard de Nerval foi um dos maiores poetas e intelectuais do Século XIX; homem de vasta cultura, conhecia profundamente a literatura alemã, de onde realizou importantes traduções, como a famosa versão teatral do "Fausto" de Göethe. Sua saúde mental começa a piorar em 1841, quando é abandonado pela atriz Jenny Colon, por quem era apaixonado. "Aurélia" e "Pandora" foram escritas no auge da esquizofrenia que devastou seus últimos anos de vida. [Nota do tradutor Paulo Hecker Filho] "Em Pandora (e Aurélia) há um quadro vivo da desrealização esquizofrênica, ainda valorizado pela figura do título, que aparece pouco, mas tirana como os esquizos costumam ver os outros, e tirana até o humor, até a arte. E Aurélia é o clássico, o relato exaustivo das divisões do eu, que prolongam ao corpo e ao resto do mundo, dos esquizos, com suas superstições de autodefesa que logo se vêem esvaziadas. O terror é que o esquizofrênico se mantém humano, e talvez não haja melhor documento disso que Aurélia. Quase tudo o que se sabe sobre a desgraça humana se apequena perto do que ocorre dentro da alma esquizofrênica".

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    Paulo Hecker Filho profile picture

    Paulo Hecker Filho

    Nasceu em Porto Alegre em 12 de junho de 1926 e faleceu na mesma cidade em 12 de dezembro de 2005. Formado em Direito pela UFRGS, começou sua notável carreira nas letras gaúchas aos 23 anos, como crítico literário, com seu livro "Diário" de 1949, que recebeu o prêmio PARKS de melhor ensaio do ano no país. Nos anos seguintes, publica diversos livros, não apenas de crítica literária, mas também de contos, poemas e peças de teatro, como "O adolescente" (1952) e "O provocador" (1957). Em 1986, encerrava uma pausa de 20 anos em publicações, com um de seus melhores livros poéticos "Perder a Vida", laureado com o prêmio Cassiano Ricardo, naquele ano. Posteriormente, outras obras de poesia como "Cartas de Amor" (1986) e "A noite não se importa" (1987), foram aclamadas pela crítica. Hecker Filho, a partir de 1979, também passou a se dedicar à tradução de destacadas obras da literatura mundial, incluindo textos de Guillaume Apollinaire, Gérard de Nerval, Sade, Rimbaud, Alfred de Musset, Prosper Mérimée, Jacques Prévert, Jean Cocteau, Maurice Leblanc, etc.

    25 Livros
    4 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Paulo Hecker Filho