O livro das ignorãças - O livro das ignorãças

    Manoel de Barros

    Record
    2000
    108 páginas
    3h 36m
    ISBN-10: 8501049638
    Português Brasileiro

    Neste livro Manoel de Barros continua "entortando" as palavras. Certa vez ele disse a Guimarães Rosa: "Temos que enlouquecer o verbo, adoecê-lo de nós, a ponto que esse verbo possa transfigurar a natureza. Humanizá-la." Deu certo.

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    Matheus Petris picture
    Matheus Petris15/04/2023Resenhou um livro
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    Fissurar na natureza, a natureza da palavra

    Quando Manoel de Barros versa que "Desaprender oito horas por dias ensina os princípios", ele, assim como Caeiro, está a nos dizer que: “Procuro despir-me do que aprendi / Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram”. Essas relações entre a poesia de Alberto Caeiro e Manoel de Barras já estão dadas, discutidas. Mas é válido começar por elas. Quando Manoel disse que “deus deu a forma” e “os artistas deformam", isso lá no livro sobre nada, alguns anos depois deste livro, ele recuperava essa ideia do desaprendizado. Além de destreinar olhos treinados, em O Livro das Ignorãças, Manoel de Barros desestabiliza a semântica das palavras, fazendo com o que o sentido delas se imploda, afinal, como “o verbo tem que pegar delírio”, é só atravessado por ele que a tessitura da sua poesia se desdobra, se entrelaçando numa voz própria e sem conclusões capturáveis. Quem pode dar o caminho? A criança. A ingenuidade daquele que não se encerra ao mundo, que não dá às costas a ele. Parafraseando Nietzsche, a maturidade do homem não seria retomar a seriedade ao brincar, tal como fazíamos quando crianças? Esse vagar rumorejante entre livros, entre lições, é posto que o poeta renasça. Como uma criança, brincar com palavras desenhando versos, fazendo dela artifício, artefato, saboreando-a. São três partes: Uma didática da invenção, Os deslimites da palavra. Todas em tônica experimentalíssima, sedimentando essa poética antiverborragica, desinventando palavras, a metonímia elevada ao paroxismo. Afinal, não é o mundo que é pequeno, é nossa relação signíca limitante para com ele, que o torna tão decifrável. Voltemos à infância, é hora de renascer. Tudo pode ser recriado.

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