Mandu Ladino (Não Definida) - Não Definido

    Anfrísio Neto Lobão Castelo Branco

    Editora Halley
    2008
    488 páginas
    16h 16m
    ISBN-13: 9788590593720
    Português Brasileiro

    Mandu Ladino não é apenas um personagem de romance; é real, existiu, faz parte da história do Piauí, do Maranhão e do Ceará, pois nesses rincões viveu e lutou em uma larga faixa de terra em fins do século XVII e início do século XVIII. Consta da história que ele era um índio manso, criado num aldeamento missionário de padres capuchinhos, possivelmente no interior da Paraíba ou de Pernambuco, e que, daí fugindo, veio a ter as terras do Longá. De novo aprisionado, Mandu virou escravo-vaqueiro em uma fazenda de gado por vários anos, tendo empreendido nova fuga quando a sede da fazenda foi atacada por indíos selvagens. Acostou-se aos índios Aranis onde mais tarde foi elevado à condição de cacique, líder da tribo, e promoveu revoltas várias contra os colonos, fazendeiros que, àquela época, se apossavam das terras nas cercanias dos rios Longá, Surubim, Jenipapo, Maratoan, Piracuruca, Poty e no baixo Parnaíba. Na visão dos brancos, Mandu Ladino foi um índio assassino, perigoso, que causou grandes prejuízos, em vidas e bens, aos colonizadores de então. Esta é a história dos vencedores. Ocorre que, se olharmos pela ótica dos nativos, os vencidos, o que vamos ter diante de nós é um personagem épico, heróico, vulto incomparável em sagacidade e destemor, que lutou bravamente contra os invasores de sua terra e pela liberdade de sua gente. Esta é a história que se pretende contar. Quanto aos demais personagens do texto, alguns são reais e outros não, todos misturados, assim como os eventos, uns verdadeiros e historicamente comprovados, de permeio a outros total ou parcialmente imaginários.

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    Maria Karla Sampaio22/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Piauí não tem índios.

    O que bem, é fato. No antepenultimo parágrafo do livro C.B fala que "O sonho estava acabado"; e tão logo eu li, o baque da certeza foi alto. O Piauí não tem reservas indígenas, e se tem, não são conhecidas pelo grande público, não são faladas corriqueiramente quando citamos as minorias. Tive a impressão que acabaram com Mandu. Todas elas. E acho que isso é um mérito muito grande do autor. A leitura desse livro é flúida, difícil em alguns momentos pois você se apega aos personagens com os dentes, mas desde o início já se sabe o que se espera na ultima página. Não é um livro perfeito, ele é, inclusive, bem problemático em alguns aspectos, mas vou deixar essas falas para um outro momento oportuno de discussão. Para piauienses que se aventuram por estas brenhas, boa sorte, você começa a tentar se lembrar dos lugares em que você ja passou imaginando aquelas pessoas cruzando por ali.

    1 curtida

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