Terceiro livro da serie Aincourt, este é o meu favorito; embora não tenha lido (nem pretenda; o perfil do herói é do tipo que abomino) o livro 1, reitero a afirmação. Porque A Casa das Máscaras mostra Candace Camp com pequenas e agradáveis ousadias estilísticas.
Ousadias, vale esclarecer, no subgênero da ficção romântica.
O romance faz alternações de passado/presente, coisa que a maioria dos leitores do genero não gosta (portanto, aqui está a 'ousadia' da autora, que apostou em desagradar ao gosto popular em esforço por um texto melhor escrito); seu casal de protagonistas demora a se entender, havendo um longo e sofrido jogo de incompreensões, equívocos, ma-entendidos, pensamentos íntimos, e até rápidos (rápidos mesmo, mas valeu!) momentos de emoções só sugeridas, menos exteriorizadas.
Li as resenhas alheias e percebi muita crítica à figura feminina, vista como mais fraca se comparada às dos livros anteriores da série. Na minha opinião, houve uma injustiça aqui: Rachel não é Miranda e nem Jessica, e nem sua criadora pretendeu que fosse; Rachel teve um outro 'background', bem diverso das outras duas, e sua força, portanto, é de outra espécie. Ao longo de A Casa das Máscaras, vemos a evolução da personagem, seus sofrimentos íntimos, seus esforços para deixar de ser aquilo que havia sido educada para ser. Há, inclusive, uma cena memorável que mostra Rachel no comando de uma situação, quando põe de lado seus sentimentos mais intensos para ser agente de sua vida, e não vítima.
Entre os encantos de A Casa das Máscaras, estão o herói, Michael Brent, sua nobreza de caráter, vista claramente no episódio da fuga de sua noiva com outro homem às vésperas do casamento. Quantos heróis de romance teriam o comportamento dele, que sabe ser firme sem descambar para a vingança, sabe amar, sofrer com a rejeição e o ciúme enquanto encontra forças para agir com justiça e generosidade? Alguém pode imaginar um herói de Diana Palmer ou de Patricia Grasso ou de Violet Winspear agindo assim? Resposta: nunca!
A linguagem, que somente de vez em quando falha (tradução?), também mostra um ar de requinte antigo, quando faz Michael tratar a esposa como "Senhora" - algo comum em romances de fato antigos, escritos nos séculos XVIII e XIX - e em algumas construções de frase.
Os defeitos estão na parte final, que parece um tanto abrupta ao chegar no momento tão esperado das explicações entre Michael e Rachel - ver, para comparar, a cena de mesmo tipo em "Senhora" de José de Alencar, muito superior - em certas repetições de informação - defeito frequente em ficção romântica, onde se parece partir do pressuposto de que suas leitoras são desmemoriadas ou sofrem de pouca inteligência, tendo de ser lembradas das mesmas coisas toda hora - e a banalidade de algumas descrições de sexo.
Ainda assim, A Casa das Máscaras marca pontos se posto ao lado da maior parte dos romances de amor escritos hoje. Merece ser lido.