São vários os assuntos tratados pelo escrito de Xonofonte (um dos seus textos em forma de diálogo socrático).
A princípio, somos apresentados ao conceito de economia, que para a antiguidade tinha o sentido da administração do patrimônio familiar. Oikos era o nome da esfera privada, familiar, os quais eram membros o marido, a esposa, os filhos e os servos ou escravos. O homem é o administrador e cuida de dividir as tarefas, da divisão do trabalho, assim como da formação dos seus membros e dos trabalhos fora de casa, principalmente com a agricultura. A mulher, por sua vez, é a responsável pela organização de tudo o que acontece no interior da casa – do cuidado com a casa e com os mantimentos, à vigilância dos servos e cuidado com os filhos. Tudo isso em prol do aumento (superávit) do patrimônio comunal familiar. A economia é, portanto, esse saber que se dedica a tornar as propriedades úteis, tranformando-as em riquezas e aumentando o patrimônio geral.
Dentro desse quadro teremos lições de Xenofonte sobre como delegar as tarefas da casa à mulher, como treinar seus servos e intendentes e como praticar a agricultura (a melhor e mais virtuosa forma de geração de riqueza, dado que os trabalhos manuais, isto é, as manufaturas corrompem o espírito e não geram as mesmas disposições viris, militares e comunitárias que a agricultura gera). Todavia, a agricultura seja de um saber muito fácil e intuitivo, de onde se tira também uma lição de meritocracia. Nela só é mal sucedido quem não trabalha bem e com esmero (ou seja, um vagal), não havendo desculpa de não conhecer a arte tão bem como o vizinho. Nela também não há segredos como nas manufaturas. E essa é mais uma qualidade da agricultura: separa os bons dos maus.
De modo bastante grosseiro, como o é este resenhador.
Espero nunca atualizarem isso como lição de moral para administradores contemporâneos, fazendo de Xenofonte o que fizeram com os estoicos. Seria um Pablo Marçal redpill intragável. É de valor histórico, favor não confundir.