Laurel agora sabe que é uma fada e vai ter que lidar com as delicias e responsabilidades que isso traz. Nada melhor, então, do que passar o verão em Avalon, o reino das fadas e elfos, em uma dimensão paralela ao nosso mundo. Lá ela vai ter que suar o vestido de seda de teia-de-aranha para poder acompanhar o ritmo das aulas, e pelo menos tentar alcançar o mesmo nível de suas colegas fadas de outono.
O laboratório de herbologia de Avalon me deu uma saudade tremenda das estufas de Hogwarts, mas o reino criado por Aprilynne Pike não se resume a isso. A delicadeza de Avalon, seus detalhes coloridos e todas aquelas fadas e elfos diferentes levam qualquer um a viajar por suas ruas. Mas aquele detalhe da hierarquia entre as ‘espécies’ é bem irritante:
Fadas do Inverno: muito raras, são a realeza, mesmo mesmo.
Fadas de Outono: nem 5% da população, experts em poções e medicamentos.
Fadas de Verão: 15% de todas as fadas, são as exibidinhas, responsáveis pelas coisas bonitas e divertidas.
Fadas da Primavera: a rabeira da cadeia alimentar. Mesmo sendo massivos 80% e cuidando de praticamente TUDO, são consideradas inferiores.
Não culpo a Laurel por se indignar com o desprezo das outras castas pelas fadas de Primavera, ao seu ver (e ao meu também) todos contribuem para Avalon funcionar. Mas, enfim...
O triangulo amoroso. Ok, geralmente eu tento me manter imparcial nesses casos, sério, já que tenho uma tendência saudável a me apegar aos personagens... mas não deu! Quero que a Laurel fique com o Tamani. Pronto, falei.
O David é super legal e dedicado e fofo e super gosta dela, mas o Tamani é um elfo! Tá, não é só por causa disso mentira que eu quero que eles fiquem juntos. A química entre os dois, a tensão constante, os fez mais reais pra mim do que Laurel + David.
É de dar um nó na cabeça de qualquer um estar no meio de uma multidão e saber que a maioria daquelas pessoas te conhecia no passado, até poderiam ser suas melhores amigas, e não lembrar bulhufas a respeito delas. Coisa desorientadora mesmo é que ninguém, ninguém !!, se incomoda em te fazer lembrar. É uma coisa bem diferente se for ver, porque na maioria dos livros em que um personagem perde a memória, todo mundo se desdobra pra fazê-lo lembrar, mas não em Encantos, não com Laurel. Ela escolheu isso e as fadas simplesmente não vem motivo para comoção: o feitiço era bem forte e foi por uma causa maior.
Tá, eu sei, tô enrolando, mas sério, você não ia ficar MUITO constrangido no lugar dela??
Retomando: Pike se livrou de qualquer insegurança que tinha no primeiro livro e aproveitou sua melhor característica: o texto despretensioso. Parece que ela não fez força nenhuma pra escrever, simplesmente foi colocando no papel. Eu sei que deve ser impossível uma coisas dessas e que os autores às vezes passam horas brigando com uma única linha, mas deu muito certo. Infelizmente a ação não tem tanto espaço nessa estória, exatamente como em Asas. Apesar de conhecermos novos elementos que prometem coisas interessantes mais pra frente, ainda estou esperando o ‘bicho pegar’ de verdade, a trama tem espaço para isso!
De qualquer modo, é muito bom quando você chega num certo ponto de um livro em que você simplesmente não quer parar de ler e, caso precise parar de ler, não vê a hora de retomar de onde deixou. Aconteceu comigo em Encantos, que diferentemente de seu predecessor, me fisgou (não, me recuso a fazer esse trocadilho) pra valer. De novo, o livro poderia ser maior e ter mais ação, mas nem de longe ficou em banho-maria como o primeiro.
Por último: um grande parabéns para a editora, a revisão e tradução foram impecáveis, coisa aparentemente difícil no mercado literário de hoje. Foi encantador ler esse livro. (Taí, não resisti!) e estou agoniada para ler Illusions, lançado aqui no segundo semestre desse ano.