O turismo nasce como negócio, como objeto de geração de lucro – largamente justificado como gerador de emprego –, muito antes de nascer como “objeto de estudo”. Isto explica um certo desdém, por parte de muitos cientistas, em relação à área temática “turismo e hotelaria”. Sabe-se que nas universidades públicas, bem como nos organismos de apoio à pesquisa, estes cursos têm pouca expressão. Portanto, enquanto objeto de estudo, de reflexão e de pesquisa, trata-se de uma área de conhecimento, por excelência, em formação. Este livro aborda as condições históricas, sociais e culturais para a emergência histórica do Turismo e da Hospitalidade, assim como a inserção contemporânea da “indústria do turismo”. Ao mesmo tempo que espelha a experiência da autora diante da temática, aborda o processo pessoal de transmutação de seu preconceito inicial, como cientista social, diante do “novo objeto de estudo”. Assim, em sua primeira parte o livro trata de desconstruir epistemologicamente o objeto de estudo. Em seguida, apresenta sua re-construção, localizando-o, de forma privilegiada, dentro do debate atual da crise de paradigmas das ciências. Nestes termos, faz uma homenagem ao campo de estudo e a seu lugar privilegiado de nascimento. De alguma forma, um objeto de estudo que instiga, por excelência, o lugar do conhecimento que impõe: decifra-me, ou te devoro. Porque ele nasce, como objeto, inter, multi ou trasndisciplinar.