Vou começar hoje de uma forma diferente: pelo projeto gráfico, até porque não tem nada que chame mais a atenção comparado aos outros. O livro não tem capa, sobrecapa ou “lombada”, é possível ver e sentir a costura com cola quente enquanto você o lê. Todas as páginas são roxas, a parte escrita fica apenas do lado esquerdo da página em um quadrado branco que sempre tem o mesmo tamanho e que cabe um único parágrafo, e o que muda nesse caso é a fonte, nunca se repetindo na folha seguinte, além do texto não ser justificado.
Se você procurar sobre o autor, vai ver que ele tem ligação com esse design, e não estou falando do fato de Bellatin não ter um braço, mas sim do quão pirado ele é como escritor. Na verdade a sua condição tem a ver sim com a questão, porque possui relação direta com algumas de suas tramas, é até o que usam de argumento quando veem o livro “faltando pedaço” e eu aposto que ele aprovaria muito se visse a sua obra nesse jeito.
Vamos falar sobre a história. O conto (sim, porque seriam 22 páginas em um livro normal) é sobre um homem paraplégico em sua cadeira que controla 30 pastores belgas de um jeito formidável só com barulhos esquisitos que saem de sua garganta. Conhecemos sua história nessa casa onde também moram sua mãe, irmã e enfermeiro-treinador, que tem tanto a função de deixar os cães em forma quanto amparar o velho. Ah, aparentemente, essa trama é um análogo da futura situação da América Latina.
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