A obra, uma ficção de Nikos Kazantzákis, acompanhamos os passos de Francisco, através dos olhos e depoimentos de seu fiel escudeiro Frei Leão. O que une esses dois personagens tão opostos é a busca por Deus, o enredo traz diversos personagens e momentos reais da vida de Francisco, porém, vale ressaltar, mesmo que haja personagens e fatos que ocorreram o autor modifica o contexto e a história, talvez para dar créditos ao estilo literário usado. O que para quem conhece ao menos um pouco de São Francisco pode ficar um pouco crítico ao livro. Porém, o autor mantém em sua obra a essência fundamental deixada pela vida de São Francisco.
O interessante do livro é você tentar compreender a visão, sentimentos e decisões de Frei Leão perante a sua jornada ao lado de Francisco. Suas oscilações entre o ideal e o desejo carnal. Francisco nos mostra o caminho da santidade, e através de Leão, podemos fazer parte da história, através de nossas incertezas, fraquezas, desejos e objetivos. Leão nesse caso representa a humanidade e Francisco a santidade.
O autor não faz sua obra, com objetivo religioso, até mesmo, pelo fato de alguns momentos apresentar críticas a igreja, porém, a faz humana mostrando que cada um é capaz de superar a si mesmo alcançando através de sacrifícios a perfeição e o ideal almejado. Através do amor e do desprendimento. Assim como fez Francisco e muitos outros. A ficção então abre as portas para a realidade e ambas caminham juntas. Desde o encontro deles, onde Francisco vivendo tudo o que era possível para a juventude abastada de sua época, até o seu abraço com a irmã morte Leão esteve junto e nos mostrando todos os passos para essa conquista que tanto na ficção como na hagiografia Francisco lutou para alcançar.