Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas2
    • Leitores164
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    A educação de uma criança sob o protetorado britânico - ensaios

    Chinua Achebe

    Companhia das Letras
    2012
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788535920208
    Português Brasileiro
    4.2
    29 avaliações
    Leram49Lendo7Querem108Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos2Desejados108Avaliaram29

    Os ensaios aqui reunidos oferecem um panorama dos múltiplos interesses e vivências do nigeriano Chinua Achebe, um dos maiores escritores africanos da atualidade cujo humanismo incondicional aponta caminhos para a superação de problemas de seu continente. Em 1958, aos 28 anos, Chinua Achebe publicou seu primeiro e mais importante romance, O mundo se despedaça. Marco inicial da literatura moderna de seu país, o livro foi traduzido para mais de quarenta idiomas e vendeu milhões de exemplares em todo o mundo. Impulsionado pelo êxito internacional, Achebe publicou poemas, contos e crítica. Esta coletânea da vertente ensaística de sua longa carreira reúne textos apresentados em palestras, conferências e homenagens a outros escritores. Achebe passa em revista momentos decisivos de sua relação com a criação ficcional, a política e a cultura. Ele também discute livros de escritores ocidentais estreitamente ligados aos temas do colonialismo e da diáspora africana: Joseph Conrad, Richard Wright, James Baldwin, entre outros. A crítica do colonialismo europeu e a análise de suas catastróficas consequências perpassam todos os ensaios reunidos, sem contudo impregná-los de pessimismo. Ao contrário, o humanismo incondicional de Achebe aponta possíveis caminhos para a superação dos eternos problemas do continente africano.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (2)Ver mais
    Lucas André Berno Kölln picture
    Lucas André Berno Kölln02/02/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A História da África, por Chinua Achebe

    Chinua Achebe é um dos mais conhecidos expoentes da literatura africana. Nigeriano nascido em 1930, vivenciou um dos períodos mais turbulentos da história do continente, pois até 1960 o território era um protetorado britânico, de modo que a luta pela independência, tanto da Nigéria como de países vizinhos – entre os quais Gana é uma referência – estivesse atingindo seu sangrento ápice na época em que Chinua crescia. O autor nasceu na aldeia de Ogidi, de origem Igbo, um grupo étnico que habita principalmente a porção a sudoeste da Nigéria. Sua trajetória de vida, profundamente entranhada nas reviravoltas políticas de seu país e do continente do qual faz parte, lhe legou um conhecimento e experiências que fazem da coletânea de ensaios A educação de uma criança sob o protetorado britânico um livro de peso. Os dezesseis ensaios reunidos no livro se remetem a um período longo, que vai desde a década de 80 até o ano de 2009. A recorrência de temas, de questões abordadas, de análises de livros feitas e referências históricas colocam o leitor em contato com o universo que o autor abarca com sua produção literária. Há várias referências, por exemplo, ao livro Coração das Trevas, de Joseph Conrad, desconstruindo a visão primitiva e selvagem que ele lança sobre o continente africano; ou mesmo sobre os movimentos nacionalistas de Gana, que se tornaram exemplo e referência para outros países também reclamarem sua independência. Sua formação na cultura Igbo lhe serviu de matéria-prima para suas obras de literatura (e também seus ensaios) bem como para sua formação política, afinal o “mundo” como ele o conhecia tinha as raízes identitárias fincadas na cultura de seu etnia. A dialética que envolvia a relação de seu povo com as autoridades do protetorado britânico moldaram a forma como ele buscou construir seus escritos, de modo que sua concepção de literatura fosse munida de um lúcido e agudo engajamento político. Foi principalmente a partir de sua obra-prima O mundo se despedaça (com um título bastante expressivo levando em conta sua conturbada existência) que ele alcançou maior celebridade e passou a viajar para várias universidades do mundo para falar sobre a África e sobre o cruel processo de dominação ao qual ela estava submetida. Nessas viagens ele conheceu outros autores como James Baldwin e personalidades políticas como Martin Luther King. As posições políticas assumidas por Achebe encontram-se calcadas no modo de vida Igbo que partilhou durante boa parte da vida, e que viu ser pressionado por todos os lados, seja pelo protetorado britânico, seja pelos ânimos nacionalistas, seja pela enxurrada neocolonial que se seguiu. Assim, a cultura Igbo (bem como outras culturas ancestrais da África, por extensão) lhe servem como base e contraponto a partir do qual ele enxerga a realidade da Nigéria. Os ensaios se detém sobre vários assuntos dentro desse escopo, desde a celebração da cultura Igbo até a visão deturpada da África em livros infantis, bem como os caminhos políticos sobre os quais a África pode andar e as lutas que tem enfrentado ao longo de sua existência. O que coroa todos os ensaios, e faz de Chinua Achebe um grande escritor, é a preocupação humanista que percorre todos os seus escritos, sem se restringir ao humanitário e sem se tornar refém de ideologias tratadas em nível abstrato. Foi aí que Achebe ganhou minha admiração. O ensaio “A África é gente de verdade” é uma chave de leitura para os demais. Nele, Achebe levanta a voz (como o fez na reunião da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico [OCDE], em Paris no ano de 1989) para proclamar que não são problemas econômicos, nem políticos, nem culturais que fazem a África padecer. Pelo menos não entendidos isoladamente. A África não é conjunto de países, é gente de verdade, vidas reais de pessoas reais, cuja existência repousa emaranhada nesses problemas acima citados, mas que não se limita a eles. Menção honrosa tem de ser feita também ao ensaio “O nome difamado da África”, onde o autor explora o peso histórico da herança de séculos de colonialismo, exploração e senso comum sobre o primitivismo, atraso e pobreza do continente. Abundante de exemplos, o ensaio é o encarar pungente da condição a que tem sido submetidas as pessoas da África ao longo da História da humanidade. A extensão temporal que abrangem os ensaios possibilita a Achebe enxergar um processo histórico deveras significativo para o continente africano, que vai desde os tempos tribais até os tempos neocoloniais, onde novas formas de dominação têm subalternizado diversos aspectos da vida africana. Tudo isso faz de Chinua Achebe uma das vozes mais relevantes da história desse continente e de seu povo.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 29
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Albert Chinualumgu Achebe profile picture

    Albert Chinualumgu Achebe

    Albert Chinualumogu Achebe nasceu em Ogidi no início da década de 1930, 30 anos antes da Nigéria se libertar do domínio colonial britânico. Fez seus estudos básicos em um colégio missionário e, embora educado na cultura ocidental, também foi criado na cultura tradicional Igbo, seu grupo étnico, no sudeste da Nigéria. Quando chegou a universidade, ele renegou o seu nome britânico, Albert, para assumir o seu nome Igbo: Chinualumogu (Chinua abreviado). Sua obra mais conhecida é <i>O mundo se despedaça</i> (em inglês: <i>Things Fall Apart</i>), publicada em 1958, quando ele tinha 28 anos, e que foi traduzida para mais de cinquenta línguas. O romance trata de considerações a respeito dos conflitos entre o governo colonial britânico e a cultura Igbo. Outros destaques da sua carreira literária foram <i>A paz dura pouco, A flecha de Deus</i> e <i>A educação de uma criança sob o protetorado britânico</i>. Ele foi um crítico da maneira como os autores estrangeiros retratavam a África, especialmente no livro <i>O Coração das trevas</i>, de Joseph Conrad. O escritor deixou sua pátria várias vezes para trabalhar como professor nos Estados Unidos e passou a morar definitivamente nesse país em 1990, após sofrer um acidente de carro que o deixou com problemas motores. Ainda assim, lecionava na Universidade de Brown. Mesmo sendo muito respeitado na Nigéria, tanto pela sua obra literária quanto também pelas suas tomadas de posição, Achebe criticava frequentemente os dirigentes nigerianos, pela corrupção e má administração do país, tendo recusado por duas vezes ser condecorado pelas autoridades locais. Em 2007, foi galardoado com o prestigioso Prémio Internacional Man Booker. Em 2012, ele lançou o livro <i>There was a Country: a Pessoal History of Biafra</i>, onde relembrou suas vivências na época do conflito em Biafra e o governo central da Nigéria, quando Achebe desempenhou funções diplomáticas e fez parte do Ministério de Informação de Biafra até o fim da guerra. Achebe morreu em Boston, aos 82 anos, em 21 de março de 2013.

    36 Livros
    86 Seguidores

    Albert Chinualumgu Achebe