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    So Long a Letter - (Une si longue lettre)

    Mariama Bâ

    Heinemann
    2008
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-1: 0
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    Henrique Luiz Fendrich08/12/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Um romance no formato de cartas que fala de uma realidade muito desconhecida para nós: o drama das mulheres em uma sociedade muçulmana no Senegal. Enquanto a narradora rememora, nas cartas, episódios da sua trajetória de vida, somos apresentados a aspectos variados daquela cultura, com destaque para a poligamia. De fato, a possibilidade de um homem (e apenas um homem) acumular esposas foi responsável pelos principais "estragos" causados na vida da narradora e também na mulher que é destinatária de suas cartas. Ambas eram esposas únicas e, em dado momento, seus maridos arrumaram outras. Cada um lidou com o caso à sua maneira. Enquanto a destinatária das cartas abandonou seu país e todo o seu passado, a narradora decidiu suportar as humilhações e continuar vivendo ali, mas já sem contar com o marido para nada. Em meio à isso, ela cuidava dos filhos, que cresciam, com todos os problemas que isso significa, mas também representando uma importante mudança no seio daquela sociedade, já que uma visão mais moderna (e menos machista) lentamente emergia e se fazia sentir. Não é aquele livro que você sai amando, mas é uma leitura rápida e interessante, cuja tradução para o português já devia ter acontecido há muito tempo, pois é um livro que recebeu prêmios há algumas décadas.

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    Mariama Bâ

    Mariama Bâ nasceu em 1929 no Senegal. Órfã de mãe, recebeu de seus avós educação tradicional e religiosa em sua infância, uma vez que a sua mãe morreu quando era ainda muito pequena. Isto fez com que desde muito cedo se mostrasse crítica em relação a um sistema que a descriminava pelo simples fato de ter nascido mulher e lhe negava uma educação pela qual teve que lutar, uma vez que os seus próprios avós não acreditavam que uma mulher deveria ser instruída. Alguns anos depois, foi encorajada por seu pai, na época Ministro da Saúde, e por uma diretora de escola a seguir os estudos e passou no concurso da Escola Normal de Rufisque, em 1949, obtendo o título de professora de ensino primário. Exerceu este cargo durante doze anos, chegando a ser inspetora escolar regional. Foi esposa do deputado Obèye Diop, mãe de nove filhos, divorciou-se e depois se casou novamente, e se engajou na militância comunitária. Pioneira na luta pelos direitos da mulher, participou em diversas organizações de mulheres e escreveu artigos em jornais locais. Lutou contra a sociedade de castas e a poligamia, e reivindicou educação para todos e direitos reais para as mulheres. Com uma saúde delicada, faleceu de câncer em 1981, dois anos após a publicação de seu romance, Uma carta tão longa, e na véspera da publicação de seu segundo romance, Le Chant écarlate (ainda sem tradução no Brasil). Com essas duas obras, ela se impôs como uma das vozes mais importantes da literatura africana. Publicou o seu primeiro romance Un si longue lettre [A minha carta mais longa] (1979 e Prémio Noma 1980) quando tinha 51 anos e que trata das confidências de uma viúva senegalesa, Ramatoulaye, à sua melhor amiga, Aïssatou, divorciada, que deixou o seu país. Entre a resignação e a vontade de mudar a sua vida, o leitor acede a um retrato íntimo sobre a condição feminina em África, em especial à injustiça e ao desgostodentro da poligamia e faz uma crítica perante temas como o sistema de castas, a família ou a religião. Un si longue lettre está traduzida para castelhano como Mi carta más larga (Ed. Zanzibar, 2005) e em catalão pela Takusán Ediciones. É considerado um dos três romances mais importantes da literatura africana. O seu segundo romance, Un Chant écarlate [Canto escarlate] (1981) trata do fracasso de um casamento inter-racial entre Ousmane, um jovem senegalês humilde e Mireille, a filha de um diplomata francês, ambos estudantes de filosofia em Dakar nos anos 80. É a primeira escritora senegalesa a dar a conhecer uma descrição, com uma lucidez extraordinária e expressão poética, da condição da mulher africana, da ausência de direitos e da poligamia.

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    Dacar, Senegal

    Mariama Bâ