Quadrinhos, e com esse título, realmente me interessaram.
Mas que decepção!! Me arrastei a ler até o final, para ver se terminava com alguma melhoria.
Basicamente o autor tira premissas metafísicas da própria cachola; é uma repetição de diversas formas diferentes do seguinte: que no início éramos todos uma coisa só com "Deus", mas que por algum motivo nos separamos, e isso teria gerado uma culpa que para sustentá-la o ego criou, como um sonho, todo o universo. Neste, ficamos morrendo e reencarnando, tudo por conta desta culpa primordial e do ego, num nexo não temporal (você pode morrer hoje e reencarnar numa época medieval, por exemplo, devido ao próprio tempo neste universo ser uma criação do ego). E a única saída disto (por isso não dei apenas uma estrela, é uma lição bonitinha) é perdoar, perdoar e perdoar, do jeito mais verdadeiro e puro possível, pois isto minaria a prisão do ego rumo ao "espírito santo" (colocado como oposto, ainda que metaforicamente uma vez que o autor alega que a verdade é não dualista, ainda que considere o preceito mente-corpo).
Enaltações a Jesus (muita influência cristã), premissas realmente sem explicação alguma, prega que viver neste mundo é sempre ruim por conta do ego e de nossos desejos (muito mais fraco que um budismo, existencialismo ou qualquer filosofia moderna, que realmente trabalham questões como angústia, vazio, etc), uma tentativa de auto-hipnose (literalmente, ele pega o símbolo que desenhou do espírito santo num quadrinho e pede pra você ficar olhando sob uma luz forte por 20 segundos, e depois olhar para uma parede para vê-lo), e para coroar, ao final, a tentativa de venda de livros e do curso "Um Curso em Milagres" como se esta fosse a salvação.
Sinceramente, se o autor por algum acaso não fez isto visando auto-lucro e com má-fé, sugiro fortemente que vá ler um pouco de Filosofia, em especial Fenomenologia e Existencialismo, que tenta explicar de maneira embasada (e não enviesada a se provar algo, como estes quadrinhos) sobre a experiência humana e relação com o mundo.
Pior tipo de metafísica possível.