Um título excêntrico?Talvez.Mas ele diz respeito a um bando de assassinos que usavam máscaras de borracha,luvas de borracha e sapatos de borracha para assaltar bancos e joalherias e para cometer os piores crimes,bem sob os olhos da polícia. No livro aparece "Mum" Oaks-uma mulher terrível,dona de uma pensão à beira do rio;aparece também o seu tiranizado marido Golly;e a misteriosa Lisa Smith,com quem todos querem casar.E aparece,por fim,Johnny Wade,o mais destemido dos detetives do Tâmisa,a quem foi confiado a tarefa de agarrar o bando.E para agarrá-lo ele tem mesmo que ser destemido...
Os homens de borracha -
Edgar Wallace
Aquele livro policial raso, curto e previsível
Edgar Wallace é um nome de peso na literatura policial, mas não tão conhecido pelos leitores atuais (pelo menos não aqui no Brasil). Ele escreveu 175 livros (quase todos eles adaptados para o cinema) e foi considerado o escritor de mistério mais famoso no mundo nas décadas de 1920 e 1930. Li apenas duas de suas obras (A Pista do Alfinete Novo e Os Homens de Borracha), mas foi o suficiente para perceber os motivos pelos quais ele não ter alcançado tanta fama na atualidade como alguns escritores do mesmo período (como Raymond Chandler e Agatha Christie). Os livros de Wallace são geralmente curtos, com personagens apelativos e reviravoltas mirabolantes. Tais características são comuns a livros de banca, elementos que, na atualidade, já não têm tanto espaço. São histórias para se ler em poucos dias e que não geram nenhum tipo de reflexão ou análise crítica. Isso pode não ser exatamente ruim se a obra é um bom passatempo (eu, inclusive, adoro ler livros do tipo de vez em quando), mas as histórias do autor nada me acrescentaram. Vi um grande potencial em Os Homens de Borracha, livro sobre um grupo de criminosos que usam roupas de borracha para fazer assaltos, sendo perseguidos pelo policial John Wade. No entanto, fui desanimando pouco a pouco por seus inúmeros defeitos: história rasa, confusa e previsível, personagens que não se desenvolvem, reviravoltas que não impressionam. Aliás, o tal John Wade é pavoroso, um protagonista que não têm nem um pouco de carisma e não desperta nenhuma simpatia. Escritores que trabalham em escala industrial, lançando inúmeros livros anualmente, são motivo de polêmica há muitos anos. Agatha Christie, por exemplo, escreveu mais de 90 livros em seus mais de 50 anos de carreira mas, em média, isso dá pouco mais de um livro por ano. Por outro lado, Edgar Wallace escreveu 175 livros durante uma carreira que durou menos de 30 anos uma média de mais de 5 livros por ano, o que é algo absurdo de se pensar. Basta fazer uma pesquisa mínima para descobrir alguns fatos interessantes sobre Wallace, como ele ser creditado como o inventor do thriller moderno, por exemplo. Posso entender a importância do autor para sua época e suas contribuições para o gênero do qual fez parte, mas sem dúvida esse tipo de literatura rápida e rasa não é para mim.
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