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    A Relíquia - A Capital -

    Eça de Queiroz

    Itatiaia
    1962
    537 páginas
    17h 54m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
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    Rafa Arduini04/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Relíquia

    Primeira obra de Eça de Queiroz que leio, apesar de, obviamente, como leitor, já ter ouvido falar muito do autor. Provavelmente meu contato com essa obra teria sido muito mais tardia, não fosse o fato de ser um dos livros obrigatórios para o vestibular da Fuvest. Pois bem, li o livro totalmente às escuras, resistindo à tentação de consultar a sinopse e saber do que se tratava o texto. Foi uma das leituras mais prazerosas que fiz nos últimos tempos. Me adaptei logo à linguagem portuguesa e do século XIX. Num breve resumo, acompanhamos o dissimulado Teodorico Raposo, órfão de pai e mãe, criado pela carola e rica tia D. Maria Patrocínio das Neves, a Titi. Raposo vive uma vida dupla, mulherengo e sedutor, briguento, e diante da tia, santo e devoto, para conseguir sua confiança e herdar toda a fortuna. A tia então o envia a uma peregrinação à Terra Santa, Jerusalém e lhe encomenda uma relíquia (daí o título), um daqueles itens tidos como sagrados, como os pregos da crucificação de Cristo. No meio dessa viagem, passando por Alexandria, ele parte levando consigo um embrulho contendo uma camisola (camisinha) de sua amante inglesa, Mary. Na volta de Jerusalém para Portugal, leva para a tia uma suposta coroa de espinhos usada no martírio de Jesus, em um embrulho, semelhante ao da camisinha de Mary. Em algum momento esses embrulhos são trocados e ele descarta o da coroa de espinhos e leva, por engano, a prova de seu pecado para a tia e acaba perdendo a herança. Na rua, se torna mercador das relíquias que trouxe na bagagem, até o mercado ficar saturado e cair em descrédito. Ao fim, em um "encontro" com Jesus, que se apresenta como nada mais além de sua própria consciência, e não uma divindade, ele percebe toda a hipocrisia daquela vida mentirosa e decide ser sincero, assumindo que não era um religioso, se casa, se torna pai e vira até Comendador da Ordem de Cristo. Ao fim, o autor nos mostra que não houve mudança alguma, e que o velho Teodorico está lá, pensando que na verdade perdeu tudo, não por ser hipócrita, mas por não ter tido a ousadia de mentir mais ainda, levando a tia a crer que aquela era a camisola de Maria Madalena. "...sou neste instante a tua própria consciência refletida fora de ti, no ar e na luz, e tomando ante teus olhos a forma familiar, sob a qual, tu, mal-educado e pouco filosófico, estás habituado a compreender-me" "E tudo isto perdera! Por quê? Porque houve um momento em que faltou esse descarado heroísmo de afirmar, que batendo na Terra com pé forte, ou palidamente elevando os olhos ao Céu - cria, através da universal ilusão, Ciências e Religiões".

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    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz