Publicado em 1884, é o décimo segundo volume da saga dos Rougon-Macquart e traz como protagonista Paulina, filha do casal Lisa e Quenu que aparecem como personagens centrais no terceiro volume: O Ventre de Paris.
Paulina aos 10 anos ficou órfã e vai viver sob a tutela de um casal de primos, os Chanteau, responsáveis por sua guarda e também pela administração de sua herança, nada desprezível. Eles vivem numa região litorânea bem carente, onde a maioria da população vive à míngua e quase como animais. Lázaro é o único filho do casal, cerca de 10 anos mais velho que a garota e ainda à procura de sua vocação. De personalidade indolente e hipocondríaca o que contrasta fortemente como espírito jovial, alegre e cheio de amor pela vida de Paulina.
Até a metade o romance estava muito parecido com o maravilhoso "Casa de Pensão" de Aluísio Azevedo, um dos principais representantes do Naturalismo brasileiro (talvez o maior). Pesquisando descobri que CdP foi inspirado num caso real. Mesmo assim fiquei com o pé atrás já que até o início dos dois é bem semelhante:
"Ao darem as seis horas no cuco da sala de jantar, Chanteau perdeu toda a esperança. Levantou-se custosamente da poltrona onde aquecia as suas pesadas pernas de gotoso diante de um fogo de coque. Havia duas horas que esperava a senhora Chanteau, que, depois de uma ausência de cinco semanas, trazia nesse dia de Paris uma priminha deles, Paulina Quenu, órfã de dez anos, cuja tutela o casal aceitara."
"Seriam onze da manhã.
O Campos, segundo o costume, acabava de descer do almoço e, a pena atrás da orelha, o lenço por dentro do colarinho, dispunha-se a prosseguir no trabalho interrompido pouco antes."
Mas da metade para o final as histórias são muito diferentes. No romance de Zola são abordados, entre outros, assuntos espinhosos como a forma como a pobreza corrompe a inocência da criança e é capaz de destruir a infância.
De todos os livros que li do autor, esse se destaca por trazer minha personagem preferida e digna de admiração por sua força, altruísmo, resignação e amor pela vida a despeito de toda sua miséria e sofrimento: Paulina entra para minha galeria de personagens inesquecíveis.