A Matéria Psi -

    Hernani Guimarães Andrade

    Casa Editora O Clarim
    1971
    73 páginas
    2h 26m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    É curioso notar que a foto de Elnstein, uma das mais preciosas peças do "brain trust" internacional, — seja exatamente aquela em que um fotógrafo ao mesmo tempo indiscreto, rápido e feliz, como um afilhado-dos-deuses, conseguiu fixar do Homem-do-Grande Teorema, com a língua de fora, e a cândida expressão de uma criança que lambe um picolé, escorrendo dos seus cabelos alvoroçados para os sulcos do rosto tão marcado pelo tempo quanto o Muro das Lamentações. Desse modo o bicho-sagrado, que é o sábio, fica perto do povo, torna-se "gente", e todo o mundo vê com ternura o retraio que, ao invés do ridículo, tem doação e paz. Ou então o olhar triste do Oppenheimer, morrendo de arrependimento, e que dá vontade de botar assentado no colo de uma camponesa de augusto colo, capaz de confiar-lhe que o seu descaminho não pôs tudo a perder, pois, se ouvirmos atentamente, captaremos o murmúrio da Vida-lmortal, até mesmo nas folhas brotando da grama ignorada, tal como Walt Whitman a canta. A quase maioria dos homens dotados de uma inteligência de escol, é assim — constituída por seres simples, que nunca olharam para os anúncios luminosos, destituídas de preocupação em relação a si mesmas, higienizadas de sofisticação, — o grande recurso de que se valem as estrelas-de-ou-ropel, para escamotear a opinião pública, — mas que vão, com seus modos distraídos e os fulgores de sua mente, empurrando os horizontes, clareando os caminhos para que a História não se perca nos obscuros descaminhos. Nessa linha de fortes tinturas franciscanas, se encontra o autor da tese que estamos apresentando ao leitor, Hernani Guimarães Andrade, a respeito do qual vários dos mais eminentes homens da pesquisa do paranormal, nos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, já nos escreveram tecendo elogiosas considerações. Mas, quem o vê não se apercebe disso: e é preciso o contacto intimo com sua obra para se avaliar, — no campo quase despovoado do raciocínio exato, — as distâncias que alcança esse homem que se desmitifica empregando sua "verve" (sério como Buster Keaton) e um mundo lúdico para afugentar os pavores de quem se aproxima da Ciência marcada pelas ameaças do "Planeta dos Macacos", do "Frahreneiht 8" ou da "Epopeia do Espaço", e cujo olhar brilha de confiança e destemor ao tratar da Cibernética. Humilde, julga-se uma espécie de autor-maldito, — não de uma maneira baudeleria-na, é claro!, embora esteia vendo suas obras ganharem edições em línguas estrangeiras e seja, sem dúvida, exatamente o grande trunfo que o Brasil pode exportar na área da literatura mais quente e movimentada de nosso tempo, isto é a do "psi", compondo entre cientistas como Puharich, Stevenson, Banerjee, Eisenbud, Koestler e todos esses homens maravilhosos que estão liquidificando os falsos dogmas da Ciência ou da Religião, até aqui intocáveis. Como o leitor vai ter, neste livro, um encontro com Hernani Guimarães Andrade, enquanto cientis-tas-de-um-futuro-que-já-começou, convidamo-lo a se acomodar para assistir a uma conversa que vamos ter simplesmente com o "Homem", o que sonhou o "Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofisicas" e construiu o "Tensionador Espacial Electromagnético'

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