Escravidão, mestiçagem e histórias comparadas -

    Eduardo França Paiva, Isnara Pereira Ivo (Org)

    Annablume
    2008
    345 páginas
    11h 30m
    ISBN-13: 9788574198347
    Português Brasileiro

    A vida de negros e de mestiços – escravos, libertos e nascidos livres – na América portuguesa, na América espanhola, bem como nas áreas francesas e holandesas do continente, em cidades européias e em regiões africanas, é o foco central desse texto. O período a ser examinado estende-se do século XVI ao XVIII e, às vezes, entra pelo século XIX. As dimensões espacial e temporal são, certamente, muito amplas e o objetivo de abarcar toda essa extensão, é claramente pretensioso. Contudo, não é tarefa impossível e isso depende muito do método de pesquisa e de conceitos-chave que permitirão viabilizar reflexões e argumentos tão abrangentes, sem correr o risco de grandes generalizações e de invenção de contextos históricos inexistentes, práticas que uma antiga história comparativa acabou executando, instituindo-se, inclusive, como modelo científico absolutamente confiável. Nesse caso, e em última instância, uma linha evolutiva da História, lastreada em crenças civilizacionais e em rígidas hierarquias sociais e culturais, que estabelecia modelos históricos ideais e serem perseguidos pela humanidade, condicionava toda a trajetória histórica e, portanto, permitia as grandes comparações entre o que não era comparável, pelo menos não o era dessa forma. Não é esse, evidentemente, o propósito desse texto.

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    Coelho Leitor03/02/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um olhar detalhado sobre o Brasil colonial e imperial

    "Escravidão, mestiçagem e histórias comparadas" é uma coletânea de estudos sumarizados em artigos com foco nas vivências de pessoas de cor durante os séculos XVII, XVIII e XIX no Brasil. Não resumindo a pessoa de cor a escravidão ou a uma só cor, os estudos abarcam cultura, religião, ofício, relações sociais, dentre outros entre africanos, pretos e pardos nascidos no Brasil, indígenas, mestiços e pessoas brancas. Se é possível obter alguma conclusão sintética de um conjunto de estudos tão diversos é que a história do Brasil é muito mais plural, com muito mais detalhes do que o senso comum nos leva permitir. Aqui, pessoas de diferentes grupos sociais e étnicos se reúnem em disputas e comunhões as vezes diretas, as vezes indiretas, mas que em um todo, desenham o Brasil como um palco de vivências múltiplas.

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