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    Livro -

    José Luis Peixoto

    Companhia das Letras
    2012
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788535920192
    Português
    4.1
    197 avaliações
    Leram271Lendo13Querem312Relendo0Abandonos13Resenhas26
    Favoritos27Desejados312Avaliaram197

    O escritor português José Luís Peixoto recria neste romance o sabor das grandes narrativas de formação. A vida de Ilídio, o protagonista, é o relato de uma perseguição que começa no dia traumático em que a mãe o abandonou na infância, avançando através de seu amor pela delicada Adelaide. Determinada a afastar os jovens amantes, a tia de Adelaide a obriga a emigrar para Paris, seguindo o caminho que fizeram mais de um milhão de portugueses entre os anos 1960 e 1970. De Ilídio, Adelaide carrega só um livro, que recebeu de presente - o mesmo livro que a mãe lhe entregou quando era menino, dizendo que voltava logo. Na França, a existência de Adelaide é um esforço contínuo para preencher vazios. Mais por infelicidade do que por felicidade, casa-se. Também um livro a conduz a esse marido que parece mais apaixonado pela política do que pela mulher. O sonho de um reencontro é tortuoso. Mas Ilídio resolve viajar para a França em busca da amada, deixando para trás o pedreiro Josué, o homem que o criou. Cartas que não chegam aos destinatários, buscas que não se completam e amores difíceis trançam este delicado romance, no qual a dor se afirma como primeira condição do existir.

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    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI picture
    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI12/02/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Confusão entre alhos e bugalhos

    Quando eu me proponho comentar minhas impressões sobre uma obra lida, vou escrevendo o que me vem na cabeça, por isso, estou pressentindo que não vai ser fácil separar alhos de bugalhos. Digo isso porque JLP me espanta: quem o vê todo tatuado e cheio de piercing ( por falar nisso ele faz uma bela abordagem sobre essa sua condição na crônica intitulada "Debaixo da roupa, estamos todos nus" que me fez corar: não pela nudez em si, mas por ter constatado que, apesar dos meus esforços, ainda carrego resquícios de preconceitos ) não é capaz de imaginar o quanto esse escritor tem a sensibilidade aflorada e o quão profundas são suas raízes familiares . Aos seus leitores não passa despercebido a recorrente abordagem da temática de sua família, ou do lugarejo onde naceu em seus livros e, "Livro", não foge à regra, haja vista que o pano de fundo do romance : a emigração portuguesa para a França na década de 60 também faz parte da história familiar de JLP, pois seu pais também foram atrás do "Eldorado". "Livro " trata-se de um livro do tipo 2 em 01. O livro 1, supostamente, dá ênfase a história de amor de Adelaide e Idílio - um casal a la "A Gata Borralheira e o Vagabundo" só que, aos olhos da tia Lubélia, estava mais para "A Dama e o Vagabundo" , um dos motivos que a leva condenar a jovem ao exílio na França - para ser mais justa com Lúbelia, devo dizer que ela conduz a jovem Adelaide ao mesmo destino dos portugueses que, ávidos por comida e liberdade, deixavam Portugal rumo à França esperançosos de encontraram melhores condições de vida. Mas por que supostamente? Porque para mim o que falou mais alto foram os temas recorrentes nos livros de JLP: A SOLIDÃO E O ABANDONO ( logo no início um menino é abandonado pela mãe ) , A MISÉRIA MORAL FÍSICA E EMOCIONAL ( não seria essa a condição de uma menina que sofria abusos do pai?) A IMPORTÃNCIA DO PAPEL DO PAI ( notório na figura de Josué) e temas que muito me encantaram, pois eles têm um valor inestimável para mim: A AMIZADE E A CUMPLICIDADE ( a relação de amizade e cumplicidade entre Idílio, Galopim e Cosme foi, para mim, o ponto alto do romance) Já no livro 2, encontramos "LIVRO" , o qual não se trata uma sopa de letrinhas como a capa possa sugerir. LIVRO é uma surpresa que JLP ( um pouco sarcástico, ousado e vingativo, talvez) reserva ao leitor. Claro que JLP não perderia seu tempo com um livro medíocre, mas então por que tão somente 4 estrelas ( embora 4 estrelas não seja a avaliação de um livro medíocre)? Porque eu senti falta da atmosfera que tomou conta de mim quando li Nenhum Olhar ( mesmo diante da minha falta de entendimento), quando li Morreste-me, e até quando, li o truculento Uma Casa na Escuridão. Senti falta da " auréola" de poesia que me envolveu todinha durante as leituras, e que me levou a concluir que JLP é sinônimo de poesia, e que poesia é sinônimo de JLP. Parece que eu estava certa: no meu comentário improvisado acabei, de fato. confundindo alhos com bugalhos, só espero não ter chegado ao ponto de confundir os nomes das personagens.

    8 curtidas

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    4.1 / 197
    • 5 estrelas35%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    José Luis Peixoto profile picture

    José Luis Peixoto

    É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês e Alemão) pela Universidade Nova de Lisboa. Antes de dedicar-se profissionalmente à escrita, trabalhou como professor em Praia, Cabo Verde e em várias cidades de Portugal. Tem publicado poesia e prosa. Recebeu o Prémio Jovens Criadores (área de literatura) nos anos 97, 98 e 2000. Recebeu também em 2008 o Prémio de Poesia Daniel Faria, instituído pela Câmara Municipal de Penafiel. Em 2001, o seu romance «Nenhum Olhar» recebeu o Prémio Literário José Saramago. Está representado em diversas antologias de prosa e de poesia nacionais e estrangeiras.

    40 Livros
    140 Seguidores

    José Luis Peixoto