Meu primeiro contato com uma obra de R.A. Salvatore foi com PÁTRIA, o 1º volume da “Trilogia do Elfo Negro” e também da coleção “A Lenda de Drizzt” – uma série de romances construídos ao redor do personagem Drizzt Do’Urden, um elfo negro que renegou as tradições cruéis de seu povo e abandonou sua sociedade subterrânea para viver na superfície, em meio a pessoas que o temem por sua aparência.
O FRAGMENTO DE CRISTAL é o quarto volume dessa coleção em ordem cronológica – embora tenha sido o primeiro a ser publicado originalmente – e, diferente dos três primeiros, não é inteiramente centrado no já mencionado elfo negro. Drizzt divide essa obra com o teimoso Bruenor, o acomodado Regis, um grande variedade de personagens que, apesar de não aparecerem em outras obras da coleção, possuem bastante destaque, mas, acima de todos esses, Drizzt divide seu protagonismo com Wulfgar, um garroto membro de uma tribo bárbara que tentou atacar a civilização e, após a derrota de seu povo, foi criado por anões e trinado pelo elfo.
A primeira qualidade notável desse livro é que ele pode ser lido independente de outras obras. É uma excelente porta de entrada a qualquer um que queira ler uma obra de fantasia sem precisar de qualquer conhecimento prévio.
Com ritmo fluido, cenas empolgantes e descrições precisas, Salvatore nos entrega um trabalho de excelente qualidade. Desde o desenvolvimento dos personagens, passando pelos conflitos e terminando em uma batalha épica, esse livro em nada desaponta os amantes da literatura fantástica. Além disso, a obra é leve e dinâmica, e eu não senti dificuldade alguma em querer continuar a devorá-la, página por página.
No entanto, apesar da qualidade inegável do trabalho de Salvatore, a edição brasileira foi vítima (a meu ver) de dois reveses. O primeiro foi ter sido lançado “fora de ordem”. Os três primeiros volumes da Lenda de Drizzt foram publicados no brasil em ordem, seguidos pelo volume 7: LEGADO (publicado em Abril de 2019). Saber quais personagens estariam vivos e presentes nas obras posteriores tirou um pouco do “senso de perigo” da obra. O outro problema presente na 1ª edição (Novembro/2019) é a incidência de diversos erros de digitação: em alguns trechos há palavras faltando, em outros há palavras a mais... e um dos últimos capítulos do livro conta com uma série de parágrafos duplicados.
O livro é muito bom, repleto de personagens cativantes e conta com um ótimo trabalho de tradução, apesar dos erros já mencionados. Vale a pena comprar e ler – mas é bom garantir que a sua edição já esteja corrigida!