Os Crimes do Amor (L&PM Pocket #194) - e a arte de escrever ao gosto público

    Marquês de Sade

    L&PM Pocket
    2000
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-10: 8525410047
    Português Brasileiro

    O divino marquês, que passou quase metade de sua vida entre prisões e sanatórios, extremado individualista, ateu convicto, capaz de escandalizar gerações e ser censurado um século e meio após sua morte, até mesmo ele teve seu momento de fraqueza. Pois o Sade dessas novelas acaba capitulando diante de uma idéia que combatia obsessivamente – o amor. Eis o verdadeiro Sade clandestino, aquele que observa as convulsões dos sentimentos, em vez dos desregramentos dos sentidos. Nem por isso deixou de ser criminoso – só que, aqui, são crimes cometidos por amor, não meramente por prazer. A Condessa de Sancerre e Dorgeville, dois dos personagens destas quatro novelas, continuam devassos, mas, ao contrário do que ocorre em Justine, sua devasidão é ditada por um certo enternecimento. O Sade de Os crimes do amor segue à risca os conselhos que prescreve e se ocupa em "pintar os homens tais como são". E já que os homens, tais como parecem ser, não são perfeitamente sádicos, é-lhes permitido alguns deslizes, como enamorar-se. Aparentemente, Os crimes do amor podem soar mais ligeiros em termos da contabilidade de perversões e atrocidades. Mas o compromisso com o vício é ainda maior. Porque a indecência do marquês, nessas novelas, vem do fundo do coração.

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    Clio25/07/2024Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Como muitos contos do Marquês de Sade, os aqui contidos buscam retratar não apenas os aspectos eróticos das relações humanas - que por si só apresentam tabus mais palatáveis na ficção, por assim dizer - mas também o próprio ódio do autor contras as instituições. Seus personagens, por exemplo, não se reduzem a máquinas de vício. Suas relações e atos são muitas vezes desviados pelas conversas em que o Marquês expõe sua filosofia em que o hedonismo e a liberdade imperam. Sua crítica à repressão é tão refenha que muitas vezes se sobrepõe ao próprio ato sexual que descreve. As histórias são simplistas, quase mecânicas em sua construção. Mas, podem valer como curiosidade para os leitores interessados em saber da onde vêm as referências da maioria das produções eróticas.

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