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    Os Moedeiros Falsos -

    André Gide

    Círculo do Livro
    1989
    336 páginas
    11h 12m
    Português Brasileiro
    4.1
    212 avaliações
    Leram317Lendo19Querem566Relendo3Abandonos7Resenhas14
    Favoritos18Desejados566Avaliaram212

    Edouard mantém um “diário do romance”, a partir do qual pretende escrever um romance -”Moedeiros Falsos”. A obra criou o “mise-en-abîme” -técnica em que a personagem se duplica dentro do romance. Francês, recebeu o Nobel em 1947.

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    Luigi21/09/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um pouco sobre Os Moedeiros Falsos, de André Gide

    Um bom escritor pode demonstrar seus talentos por meio de algumas características basais para a reverência dentro das letras. Pode ser um ótimo criador de personagens e tipos; ser um argumentista sólido, com bons diálogos; pode dosar bem seus símbolos sem deixar a obra pedante ou intratável pelo público médio; talvez saiba como elaborar uma boa história, de início ao fim, prendendo o leitor em cada página, ansioso por saber a conclusão. André Gide (1869-1951), escritor francês e Nobel de Literatura em 1947, junta todas essas características em sua obra-prima, Os Moedeiros Falsos (1925), e ainda nos brinda com uma aula sobre o formato romance e a boa literatura.    Resumir a história de Os Moedeiros Falsos, um dos maiores clássicos da literatura francesa e universal, é uma tarefa quase impossível. São tantos os acontecimentos que Gide nos apresenta, de tantos pontos de vista e, inicialmente, tão desconexos, que o leitor se encontrará sendo guiado às cegas por um escritor que sabe muito bem quais sensações -- e sem dúvidas a confusão é uma delas -- quer despertar no leitor e quando as fará emanar, tendo a percepção do interlocutor em relação a obra como uma das características fulcrais para o tema principal dentro da vasta miscelânea de tópicos abordados: a distinção entre realidade e o que entendemos ser a realidade.    Acompanhamos o núcleo basal de três personagens (os jovens Bernard e Olivier e o tio-escritor deste, Édouard) e as ramificações numa gama incontável de personalidades e situações; muitas vezes, estas são tão absurdas e inusitadas que não vemos, primeiramente, a conexão em que irá ornar com o resto da trama, mas André Gide não deixa uma ponta solta que seja, fato que a transforma em uma obra inesgotável e, de acordo com o próprio autor em relação a sua carreira como um todo, feita para leitores que não se cansam, pois com toda a certeza uma segunda e consequentes leituras e releituras irão enriquecer ainda mais a percepção sobre as camadas de Os Moedeiros Falsos.    Assim como em Dom Casmurro de Machado, O Grande Gatsby de Fitzgerald e tantas outras obras, Gide lida com a confiança do leitor em relação as palavras ditas pelas personagens, com o adendo de elevar esta característica a mote da trama. Os moedeiros falsos da trama são um pano de fundo para buscarmos visualizar se o que vemos é a realidade ou um foco de luz sobre ela. Cada trama, de modo muito hábil, vai sendo contada gradualmente por cada personagem que nos é apresentada, tendo eles visões dissonantes sobre o mundo e sobre seus semelhantes, cabendo a nós e as outras peças deste tabuleiro construído por André Gide acreditar naquilo ou não.      O caldo narrativo de Gide é engrossado pela sua paixão e conhecimento sobre a literatura e seus instrumentos. Na obra, em um exemplo perfeito de metalinguagem -- creio que, junto a Dom Quixote, seja o melhor uso desta função --, acompanhamos Édouard, tio do jovem Olivier, escrevendo um livro chamado Os Moedeiros Falsos, assim como o que temos em mãos e que foi escrito por André Gide. Por Édouard, escritor de pouco renome -- diferentemente do conde Passavant, espécie de antagonista de Édouard e que, na visão deste, se entrega a opinião popular para obter sucesso fácil --, acompanhamos a construção de um romance (mesmo que, do livro dentro do livro, só tenhamos acesso direto a poucas linhas) e o processo reflexivo para encontrar as mensagens que quer passar ao leitor futuro, enquanto a realidade -- a de Édouard e não a nossa (talvez) -- vai se confundido com a própria obra, interferindo tanto nas personagens de Gide quanto no próprio tom da obra, que vai assumindo cada vez mais, propositalmente, um ar folhetinesco e dinâmico, sem nunca esquecer seu tópico central sobre a distinção entre a realidade e a percepção que temos dela.    Tão vasto em seus temas e tão bem desenvolvido em cada característica sua, são muitos os níveis de compreensão que podemos ter da obra Os Moedeiros Falsos, uma obra inesgotável e essencial para entendermos como se constrói um bom romance, tanto por seu tema quanto pela mais simples leitura que fizermos da obra, exemplo perfeito de brilhantismo na literatura. Não à toa, Gide foi agraciado com um Nobel de Literatura, pois sua obra, como todo clássico universal deveria ser, é vasta em paixão e em técnica... E como carece a tantos autores possuir essas duas características em tão alto nível!  

    19 curtidas

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    4.1 / 212
    • 5 estrelas37%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas2%
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    André Paul Guillaume Gide

    André Guide (1869-1951) nasceu em Paris, numa família da alta burguesia huguenote e católica. Órfão de pai aos onze anos, depressa se refugia na literatura. Revoltado contra a sua educação puritana, a obra de Gide assentaria nessa tensão não resolvida entre uma disciplina artística rígida, um moralismo puritano, a indulgência sensual e uma procura de códigos morais próprios. Foi tradutor de Shakespeare, Whitman, Conrad e Rilke, bem como um influente e polémico crítico literário. Em 1947, é galardoado com o Prémio Nobel de Literatura «por retratar, na sua obra, a condição humana com um destemido amor pela verdade e um profundo conhecimento da sua psicologia».

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    55 Seguidores

    André Paul Guillaume Gide