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    Oração para uma negra - Peça em sete quadros

    William Faulkner

    Agir
    1958
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.3
    3 avaliações
    Leram11Lendo0Querem16Relendo0Abandonos0Resenhas1
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    Adaptação de Albert Camus para o texto de William Faulkner. "Oração para uma negra" fala sobre um escândalo que acomete uma conceituada família burguesa do sul dos Estados Unidos. Nancy Mannigoe, a ama negra, assassina o último filho dos Stevens e é condenada à morte. A adaptação feita para o palco de Albert Camus, acentua intensidade e emoção aos temas discutidos na obra: vida, morte e sofrimento. Embora a peça seja baseada no romance de Faulkner, o trabalho de Camus não é apenas o de tradutor, já por si admirável obra de re-criação de um ambiente e uma linguagem. Camus suprimiu os pormenores antiteatrais, as falas e palavras digressivas do núcleo da ação; em outras passagens, deu uma consistência de linguagem mais tersa para o fácil entendimento da platéia francesa (e das plateias fora dos Estados Unidos, em geral); redividiu os três atos em sete quadros, com hábil escolha dos momentos de "suspense" para cada um deles; e, sobretudo, como homem de teatro, acrescentou felizes indicações de rubricas, em que se sente o seu cuidado policiar os desmandos de atores e diretores, bastante perigosos.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Cristiano Vituri picture
    Cristiano Vituri17/02/2017Resenhou um livro
    0

    Pedras para uma branca...

    Porque Faulkner não quer a solução mais obvia? a mais trivial? Sim, as coisas não são como parecem ser, seja na sociedade, seja dentro de casa, seja na nossa própria consciência. E do jeito mais intricado e complexo, esse livro, adaptado para o teatro, conta de maneira, rude e profunda, todas as sujeiras (digamos assim) que muitas vezes preferimos esconder. Uma empregada negra mata uma bebê, é condenada a morte por enforcamento, o advogado dela, é tio do pai do bebê, a mãe, uma ex-prostituta arrependida que teve uma recaída e precisa de conselhos. Aqui, recomendo ter lido algumas obras do autor. Faulkner não facilita. Temple Drake a mãe do bebê assassinado, é uma das protagonistas do romance Santuário. Sua história não é nada comum, ela precisa mostrar que se arrependeu, mas reluta em abrir os olhos para a realidade, que no seu caso, é cruel e triste. Gavin Stevens, personagem crucial de A Mansão, é advogado de defesa de Nancy, e também tenta agir como um interventor da verdade, e mostrar para seu sobrinho Gowan, quem é Temple, e mostrar a Temple quem é Temple. O destino de Nancy- uma negra- no sul dos estados unidos, década de 40 é conhecido, e Faulkner não cede em momento algum, alguém tem que pagar, o bode expiatório não tem perdão. A vida tem que seguir...Temple e Gowan vão...

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    William Faulkner profile picture

    William Faulkner

    Sem diploma do secundário (ensino médio), o prêmio Nobel de Literatura em 1949, e prêmio Pullitzer em 1955 e 1963 (póstumo), William Falkner viveu em sua pequena cidade no Estado mais pobre dos Estados Unidos, o Mississipi. Só viajava para Hollywood para arranjar trabalho como roteirista. Indo e vindo, entre 1932 e 1955, trabalhou para os estúdios Metro, Fox e Warner. Como escreveu o crítico brasileiro Sérgio Augusto: "Só aderiu ao cinema porque precisava de dinheiro. Tinha 35 anos e acabara de escrever 'Luz em Agosto'. A venda de seus livros mal dava para pagar a conta da luz. Seus primeiros quatro livros não venderam mais de 2 mil exemplares cada. Seu primeiro (e único) best seller, 'The Wild Palms', é de 1939". Por volta de 1958, a Fox tentou trazê-lo de volta. Na época, Faulkner, que já não estava mais tão necessitado de dinheiro, recusou o convite. Após publicar "O Fauno de Mármore" (1924, poemas), Faulkner foi a Nova Orleans para conhecer o círculo literário em torno da revista literária "The Double Dealer", que publicava Hart Crane, Ernest Hemingway, Robert Penn Warren e Edmund Wilson. Além dos contos para a revista, Faulkner fez seu primeiro romance "Paga de Soldado". Tímido, ele preferia a companhia de seus amigos caçadores e dos vizinhos de seu sítio a outros escritores e intelectuais. Seus primeiros livros traziam características da literatura do fim do século 19. "O Povoado", o primeiro romance da "Trilogia Snopes", é um retrato irônico das grandes depressões que antecederam a Guerra Civil norte-americana. Em "Os Invictos", publicado no ano de sua morte, o escritor constrói um conflito de éticas e mentalidades entre o velho Sul e a nova realidade americana após a Guerra Civil. Faulkner entrou numa nova fase, quando encontrou seu estilo nas obras "O Som e a Fúria", "Enquanto agonizo", "Santuário", "Luz de agosto", "Dr. Martino e Outros Contos", "Pilão", "Absalão! Absalão!" e "Palmeiras Selvagens". A violência destes livros está em primeiro plano e, às vezes, os personagens têm uma meia vitória aqui e ali. Em "Enquanto agonizo", Faulkner costura dezenas de monólogos de 15 pessoas para mostrar o perfil psicológico de uma família que conduz o corpo da matriarca ao cemitério. A partir de "O lugarejo", o destino dos personagens de Faulkner não é mais tão trágico. Ao menos surge alguma esperança para a condição humana como uma promessa de liberação. Em "Desça Moisés", sobre a luta do personagem Ike McCaslin contra a devastação da mata, Faulkner denuncia injustiças. Além de viagens necessárias à sua carreira, Faulkner continuou enfurnado no Mississipi até se tornar escritor residente da Universidade de Virgínia. O contato com os estudantes está registrado no livro "Faulkner na Universidade".

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    William Faulkner