Nicolás Gómez Dávila
Nicolás Gómez Dávila passou a maior parte de sua vida entre seu círculo de amigos e nos limites de sua biblioteca. Perteneceu a alta sociedade colombiana e se educou em París. Devido a uma severa pneumonia, ficou cerca de dois anos em casa, onde seria educado por profesores particulares e desenvolveria sua admiração pela literatura clássica. Nunca freqüentou uma universidade. Na década de 1930, regressou a Colombia e nunca voltou a visitar a Europa, exceto durante uma estancia de seis meses com sua esposa em 1949. Reuniu uma biblioteca pessoal imensa que continha mais de 30.000 volumes (conservada atualmente pela Biblioteca Luis Ángel Arango de Bogotá) em torno dois quais centrou toda sua existência filosófica e literária. Em 1948 ajudou a fundar a Universidad de Los Andes em Bogotá.
Extraordinariamente erudito, profundo conhecedor das línguas clássicas, defendeu uma antropología cética fundada no estudo profundo de Tucídides e de Jacob Burckhardt. Considerava que as estruturas hierárquicas deviam ordenar a sociedade, a Igreja e o Estado. Criticó do conceito de soberania popular e também de algumas mudanças que introduziu a Igreja Católica na raíz do Concílio Vaticano II, em particular a renúncia de celebrar a Missa em latim. Como Donoso Cortés, Gómez Dávila acreditava que todos os erros políticos resultavam, em última instância, de erros teológicos. Esta foi a razãon pela qual seu pensamento se descrive como uma forma de teologia política.
Católico e de princípios profundos, sua obra é uma crítica aberta a certas expressões da "modernidade" e, para alguns, às ideologias marxistas, e a algumas manifestações da democracia e do liberalismo, pela decadência e a corrupção que abrigam. Seus aforismos ( que ele denominava escolios) estão carregados de uma ironia corrosiva, de inteligência e de profundos paradoxos.