Um pé de milho -

    Rubem Braga

    Civilização Brasileira
    2008
    174 páginas
    5h 48m
    ISBN-13: 9788520008898
    Português Brasileiro

    Tudo o que aparece neste livro foi publicado em jornais e revistas. A maior parte apareceu no suplemente literário do Diário Carioca e ao mesmo tempo na Folha da noite de S. Paulo, Folha da Tarde de Porto Alegre e Diário da Noite do Recife, além de outros jornais. Desse número são as histórias publicadas como pequenos folhetins, como a do corrupião, a do caminhão, a aventura em Casablanca e a história de São Silvestre. As crônicas de março de 44 saíram no Diário Carioca, onde assinava uma seção chamada "Ordem do Dia"; as de maio de 45 em Diretrizes. De uma correspondência quinzenal para a Revista Globo, aproveitei alguns trechos, como os referentes ao pé de milho e ao futebol na praia: há também uma crônica de Sombra e outra de A Casa: a última do livro é uma das "Notas de Paris", mandadas para O Globo e outros jornais. Não discrimino mais exatamente as publicações para não cansar o leitor com minúcias que, afinal, pouco lhe importam. Rio, 1948 - R.B.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover

    Similares (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (6)Ver mais
    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich06/01/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um pé de milho e outras couves da literatura

    Aí está o Braga perto de fazer 100 anos, e por coincidência estive relendo "Um Pé de Milho", com crônicas suas feitas em meados dos anos 40. O livro não contém tantas citações diretas a notícias de jornal como os seus anteriores, mas é bastante povoado por problemas da época que, imagina-se, saiam em jornal. Braga é um cronista urbano do Rio de Janeiro e, ao menos nas crônicas selecionadas, bem menos severo que um Bilac, por exemplo. É que há um tanto de melancolia em tudo o que Braga escreve e, mesmo que ele fale da falta de água na cidade, faz isso com tanta graça que não temos muito ânimo para nos indignar. Acompanhamos o cronista várias vezes dentro de uma autolotação, e nos sentimos bastante próximos a ele, sofrendo as mesmas injustiças, mas com algum desalento. Este é o livro que conta com algumas das mais curiosas experimentações de Braga, inclusive com alguns flertes com a ficção, ou algo próximo a ela (como na impagável "Eu e Bebu na hora neutra da madrugada" ou nas improváveis "História do Corrupião" e "História do Caminhão"). Nestas duas últimas, e mais em "Aventura em Casablanca" e "História de São Silvestre", Braga manteve a artimanha de continuar a história na semana seguinte, utilizada no tempo da publicação na imprensa. Não apenas esse expediente nunca mais foi usado em seus livros como o próprio estilo de narrativa - se me permitem, longe da sua maestria - também não se repetiu. No mais, lá estão os seus passeios à infância, os louvores à Cachoeiro do Itapemirim, e sua permanente comunhão com a natureza, da qual a crônica-título parece ser o melhor exemplar. Braga ainda faz as vezes de conselheiro sentimental e faz divagações sobre o amor. E o humor que tempera tão bem o gênero está perfeitamente representado na inesquecível "Aula de Inglês", que é inclusive apontada por Roberto Braga, filho do cronista, como a melhor que já fez. O livro termina com o bonito registro circunstancial de "As Velhinhas da Rua Hamelin", quase um indicativo do que seria a sua produção francesa publicada no seu livro seguinte, "A Borboleta Amarela". Leiam, leiam o Braga. Aproveitem o centenário que aí está, mesmo que pouca gente dê grande importância a ele - mas quem mandou, meu caro Braga, se dedicar às couves da literatura?

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 64
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas5%