Bacia das Almas
"Bacia das Almas" é um romance ambientado na Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul e conta a história de uma família de estancieiros que vive em uma bacia hidrográfica isolada. A história conta o processo de fragmentação e decadência da família, presa no que tanto poderia ser considerado lar como prisão. O relacionamento familiar descrito no enredo beira ao trágico. Embora mostre um equilíbrio aparente, termina por se romper no decorrer da narrativa. Não é de se admirar, considerando a natureza perversa do patriarca, o Coronel Trajano Henriques de Paiva, cujo destino é a derrota, tanto na vida particular quanto na política. Ao morrer, o patriarca deixa uma família onde todos, sem exceção, guardam profundas marcas. A mágoa é tanta, tão grande é a carga de sentimentos maus ligada àquela casa, que os herdeiros renunciam ao seu quinhão. Com este livro, o autor não quis retratar o gaúcho mítico. Ao contrário, Coronel Trajano é um cafajeste ditador e perverso. Ainda nesse contexto de desmistificação, seus filhos homens são fracos e frustrados, um na política, um na vida sexual, outro na opção sexual. Já o papel da mulher na obra também é influenciado pelos danos causados pela loucura do "pai". A filha mais velha é condicionada pelo pai a se comportar como a mãe falecida, uma mulher submissa. A outra filha, estuprada pelo "pai", não reage e se submete passivamente ao ser desprezível. Duas mulheres mortas em vida, sem qualquer relacionamento amoroso, sonho ou esperança. Dificilmente o leitor não sentirá empatia pelas almas sofredoras de Bacia das Almas.



